sábado, 31 de março de 2018

O Contragolpe de 1964 e o AI-5


É papel inalienável do historiador relatar os fatos históricos e interpretá-los na forma devida para que na posteridade todos — e em especial os jovens — recebam herança adequada. Muito se tem escrito sobre a adoção do Ato Institucional nº 5 (AI-5), de 13 de dezembro de 1968. É oportuno pois rever causas determinantes, remotas ou próximas, sobretudo com foco naquelas patrocinadas pelos comunistas brasileiros, objetivando a implantação do País da ditadura do proletariado; e, frequentemente, justificadas com a alegação de combate à ditadura militar. Ei-las: 
üa preparação para a guerrilha de Xambioá, entre 1964 e 1968, quando vários dentre os dezoito militantes comunistas que haviam passado por treinamento militar na China, se estabeleceram no Araguaia, para iniciar um movimento guerrilheiro; 
üo surgimento em 1964, no meio universitário da cidade de Niterói, do “Movimento Revolucionário Oito de Outubro” (MR-8), em memória da captura e assassinato na Bolívia, em 8 de outubro de 1967, de Che Guevara;
üa formação em 1966, da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), a partir da união de dissidentes da “Política Operária” (POLOP) com remanescentes do “Movimento Nacionalista Revolucionário”(MNR), com a finalidade de empreender ações de guerrilha; 
üo atentado de 25 de julho de 1966, no aeroporto de Guararapes em Recife, perpetrado pelos comunistas, com o objetivo de assassinar o General Costa e Silva, que se encontrava em campanha pela eleição à Presidência da República, e que ceifou a vida do jornalista Edson Registou de Carvalho e do Vice Almirante Nelson Gomes Fernandes; 
üa divulgação do texto “Algumas Questões Sobre as Guerrilhas no Brasil”, elaborado em outubro de 1967, em Havana, Cuba, por Carlos Marighella, no qual afirma que “Esta contribuição teórica e prática da revolução cubana ao marxismo-leninismo elevou a um plano inteiramente novo a guerrilha, colocando-a na ordem-do-dia por toda a parte, em especial na América Latina”;
üo surgimento, em 1967, da Ação Libertadora Nacional (ALN), organização estruturada para a prática da guerrilha urbana; e
üo ataque terrorista desencadeado em 26 de junho de 1968, contra o Quartel General do IIº Exército, no Ibirapuera, em São Paulo, e que matou o soldado Mário Kozel Filho.
Por evidente, os fatos históricos ora citados são ignorados, omitidos e apagados da memória por aqueles que tratam do dramático período de 1968. Os livros adotados nas escolas — para mais de 6 milhões de alunos no ensino médio, dentre as 46 milhões de matrículas no ensino básico — deixam de transmitir aspectos essenciais, como as causas que geraram o AI-5, mencionadas neste texto. Por que?
Para desempenhar seu papel, os historiadores devem estar fora do universo dos analfabetos funcionais, dos doentes ideológicos ou dos que prezam a má fé como paradigma existencial. Do contrário, jamais transmitirão a ideia ontológica de que o “objetivo fundamental do ser humano é a paz e a harmonia, tendo como instrumento a democracia, que por seu turno é alicerçada na liberdade, na verdade, na coragem e na ética”.
E por último e fundamental: a sociedade brasileira clama por mudança. A fraude, a falsidade e a corrupção receberam um duro golpe em 2018. A esperança, a fé e o otimismo entraram na agenda social e política. Todos precisam se conscientizar desses novos tempos em que cidadãos, contribuintes e eleitores estão imergindo.


# # #


segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Mudança para a vanguarda

Na surpreendente nota “Retrocesso institucional” (Estadão de 28 de fevereiro), é apresentada uma condenação à nomeação de um cidadão, militar da reserva, para o cargo de Ministro da Defesa.
Seria o caso de inferir que um médico poderia ter restrições para ocupar o cargo de Ministro da Saúde; um economista para o cargo de Ministro da Fazenda; ou um advogado para o cargo de Ministro da Justiça — raciocínio estrábico, diria o sábio. 
Na sinuosa nota, poder-se-ia concluir que Eisenhower, De Gaulle e Churchill, por serem militares, não poderiam sequer terem se apresentado como candidatos ao cargo máximo de seus respectivos países. 
Na obtusa nota, faltou ao autor dizer que, similarmente ao que ocorrera na Grécia antiga, há a urgente necessidade de se incluir na Constituição um artigo que defina o conceito de cidadão; em parágrafos subsequentes, sejam definidos quais cargos somente os cidadãos podem ocupar; e, evidentemente, quais seres humanos adultos preenchem as condições para serem considerados cidadãos. 
É razoável também lembrar que a apologia à obra do Sr. Fernando Henrique Cardoso, contida na nota, deveria ser acompanhada do esclarecimento de seu papel na adoção da reeleição, bem como na eleição do Sr. Lula e, por extensão, da Sra. Dilma. É razoável não esquecer que a carta do general romano a seu irmão Cícero e inúmeros outros fatos históricos — que no Brasil desaguaram no sucesso da adoção da reeleição —, são antecedentes animadores das crises do Mensalão e do Petrolão. Por oportuno, a carta para Cícero orientava, há dois milênios, como realizar tramoias para ser eleito senador e sobreviver na política.
Abstenho-me de analisar a origem da inconveniência com que é tratada uma classe de cidadãos. Na democracia, cada um tem a liberdade de expressar sua verdade, mesmo que esta decorra de lógica desarrazoada — os integrantes do Estadão sabem o que é isso! 
O essencial é analisar as causas das mazelas do Brasil e do povo brasileiro. Quando alguém do maior e melhor jornal do País tenta formar opiniões dessa maneira, tem-se um inequívoco indicador das mazelas: corrupção e desrespeito ao bem público; indigência na educação, saúde e segurança; estilo e qualidade insatisfatórias dos políticos; e versão distorcida da história concebida pelos professores doutores na academia — para citar apenas uma amostra do universo.
Há solução: outubro está chegando! “Só a mudança é permanente!” (Heráclito 400 a. C.).

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Coragem, honestidade e verdade


CORREIO BRAZILIENSE — 20/Fev/2017


Precisamos falar sobre Bolsonaro
Leonardo Cavalcanti

[No texto, o Sr. Cavalcanti propõe debate sobre o provável candidato Bolsonaro, mas induz o leitor a pensar que os oponentes do candidato são certos e os demais errados].




RESPOSTA DESTE (E)LEITOR



[Mensagem divulgada na coluna Sr Redator, do Correio Brasiliense de 22/2/2017]
O artigo “Precisamos falar sobre Bolsonaro”, do senhor Leonardo Cavalcanti (Correio Braziliense de 20 de fevereiro) analisa os possíveis candidatos da eleição presidencial de 2018. Nesse sentido, é oportuno asseverar que o texto contém uma virtude: a proposição de debate sobre o provável candidato Bolsonaro; e um vício: a assertiva de que os oponentes do Bolsonaro são sábios e os demais são idiotas. 
De um lado, o senhor Cavalcanti se despoja dos erros dos adversários do senhor Trump — a mídia, os intelectuais e os democratas americanos asseveravam que ele perderia inapelavelmente; de outro, ele abraça-os com inexplicável inconformismo — de forma similar ao que ocorreu no vizinho do norte, atribuindo a outros todos os defeitos possíveis. 
Por oportuno, é razoável asseverar que constitui engano fatal alguém pensar que está sempre certo e os oponentes inequivocamente errados. Ademais, repetir erro já cometido não é prova de lucidez. 
Por último e fundamentalmente importante, é fácil inferir que, no deserto de ética e honestidade da política brasileira, basta a um político ter coragem, não se deixar corromper e falar a verdade, para ganhar a eleição presidencial de 2018. É essa a práxis do Bolsonaro?


# # #

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Valorização dos professores

Na carta intitulada “Excelência acadêmica requer cientistas treinados” (Fórum de Leitores do Estadão de hoje, 8 de janeiro), instigado por missiva anterior, de pesquisadores brasileiros, o doutor Vandré Casagrande Figueiredo compara estudo, pesquisa & desenvolvimento e ciência & tecnologia no Massachusetts Institute of Technology (MIT) e na Unicamp. 
Nesse sentido, o missivista dá uma aula sobre o que faz a diferença em favor do instituto americano, que mutatis mutandis pode ser estendido às principais universidades e centros de pesquisa dos países desenvolvidos. Infere-se inequivocamente que há uma linguagem a ser praticada nesse campo.
Num ano de eleição presidencial no Brasil, os candidatos deveriam atribuir maior relevância à compreensão dos grandes saltos transformadores da humanidade: 
(i)         a saída do homem das cavernas;
(ii)       a descoberta da agricultura;
(iii)      a invenção do arco e flecha;
(iv)      a invenção do alfabeto e da linguagem escrita;
(v)       a invenção de técnicas metalúrgicas; 
(vi)      a invenção da pólvora e da impressão de livros;
(vii)    a revolução industrial; e
(viii)  a revolução do conhecimento e da informação, a reboque das descobertas da eletrônica e da telemática. 
Não é demais enfatizar que nenhum povo atingiu a condição de prevalência na história mundial, sem que haja a prevalência de metas associadas à transformação.
O que foi analisado na correspondência do doutor Figueiredo relaciona-se com a última transformação citada, a que nossos governantes hesitam em aderir prioritariamente, dado que a ausência de estadistas entre nossos políticos impede até mesmo sua alfabetização na linguagem adotada pelo articulista. 
Enfim, é imperioso que os candidatos à Presidência da República assimilem essa linguagem, debatam os problemas e as soluções e passem a atribuir prioridade inequívoca, indiscutível e máxima para ciência & tecnologia e para seu fundamento básico, a educação — ou seja, a excelência acadêmica e a atuação dos cientistas devem, cotidianamente, estar na agenda do poder Executivo, do Parlamento, das demais instâncias do poder e, por último e de fundamental importância, no dia a dia dos cidadãos.

 Ademais, a primeira e fundamental medida é tornar a profissão de professor a mais valorizada e melhor remunerada do setor público — essa é a revolução que necessitamos.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

O Contragolpe de 1964 e o AI-5


É papel inalienável do historiador relatar os fatos históricos e interpretá-los na forma devida para que na posteridade todos — e em especial os jovens — recebam herança adequada. Muito se tem escrito sobre a adoção do Ato Institucional nº 5 (AI-5), de 13 de dezembro de 1968. É oportuno pois rever causas determinantes, remotas ou próximas, sobretudo com foco naquelas patrocinadas pelos comunistas brasileiros, objetivando a implantação do País da ditadura do proletariado; e, frequentemente, justificadas com a alegação de combate à ditadura militar. Ei-las: 
üa preparação para a guerrilha de Xambioá, entre 1964 e 1968, quando vários dentre os dezoito militantes comunistas que haviam passado por treinamento militar na China, se estabeleceram no Araguaia, para iniciar um movimento guerrilheiro; 
üo surgimento em 1964, no meio universitário da cidade de Niterói, do “Movimento Revolucionário Oito de Outubro” (MR-8), em memória da captura e assassinato na Bolívia, em 8 de outubro de 1967, de Che Guevara;
üa formação em 1966, da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), a partir da união de dissidentes da “Política Operária” (POLOP) com remanescentes do “Movimento Nacionalista Revolucionário”(MNR), com a finalidade de empreender ações de guerrilha; 
üo atentado de 25 de julho de 1966, no aeroporto de Guararapes em Recife, perpetrado pelos comunistas, com o objetivo de assassinar o General Costa e Silva, que se encontrava em campanha pela eleição à Presidência da República, e que ceifou a vida do jornalista Edson Registou de Carvalho e do Vice Almirante Nelson Gomes Fernandes; 
üa divulgação do texto “Algumas Questões Sobre as Guerrilhas no Brasil”, elaborado em outubro de 1967, em Havana, Cuba, por Carlos Marighella, no qual afirma que “Esta contribuição teórica e prática da revolução cubana ao marxismo-leninismo elevou a um plano inteiramente novo a guerrilha, colocando-a na ordem-do-dia por toda a parte, em especial na América Latina”;
üo surgimento, em 1967, da Ação Libertadora Nacional (ALN), organização estruturada para a prática da guerrilha urbana; e
üo ataque terrorista desencadeado em 26 de junho de 1968, contra o Quartel General do IIº Exército, no Ibirapuera, em São Paulo, e que matou o soldado Mário Kozel Filho.
Por evidente, os fatos históricos ora citados são ignorados, omitidos e apagados da memória por aqueles que tratam do dramático período de 1968. Os livros adotados nas escolas — para mais de 6 milhões de alunos no ensino médio, dentre as 46 milhões de matrículas no ensino básico — deixam de transmitir aspectos essenciais, como as causas que geraram o AI-5, mencionadas neste texto. Por que?
Para desempenhar seu papel, os historiadores devem estar fora do universo dos analfabetos funcionais, dos doentes ideológicos ou dos que prezam a má fé como paradigma existencial. Do contrário, jamais transmitirão a ideia ontológica de que o “objetivo fundamental do ser humano é a paz e a harmonia, tendo como instrumento a democracia, que por seu turno é alicerçada na liberdade, na verdade, na coragem e na ética”.
      E por último e fundamental: a sociedade brasileira clama por mudança. A fraude, a falsidade e a corrupção receberam um duro golpe em 2018. A esperança, a fé e o otimismo entraram na agenda social e política. Todos precisam se conscientizar desses novos tempos em que cidadãos, contribuintes e eleitores estão imergindo.

# # #

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Tolerância zero com a corrupção


ESTADÃO — 5/DEZ/2017


Em editorial, o Estadão atribui aos eleitores de Bolsonaro uma linha de pensamento e um visão política inequivocadas. Contrariamente ao que o autor do texto propugna, esses cidadãos brasileiros aspiram ética, decência e tolerância zero com a corrupção.


RESPOSTA DESTE (E)LEITOR


Aí pelos idos de 1960, ouvi de um professor de português que o Estadão era um dos quatro melhores jornais do mundo em veracidade e credibilidade de notícias. Desde então tenho acompanhado esse prestigioso jornal. 
Pois bem, no editorial de hoje, o Estadão explicita, como opinião oficial, que há um ruidoso contingente de eleitores que apoiam o ex-capitão do Exército Jair Bolsonaro porque este propugna “o apoio à tortura, defesa da ditadura militar, hostilidade a minorias em geral e nacionalismo bronco”. 
Supondo que essa assertiva seja adequadamente contextualizada e verdadeira, seria razoável, para não dizer ético, que o editorialista asseverasse também que há um silencioso contingente, correspondente a dezenas de vezes maiores que aqueles mencionados na admitida hipótese, que apoiam Bolsonaro por acreditar na verdade e na liberdade, como pilares da democracia, especialmente porque com a atitude dos políticos brasileiros — aí incluídos todos os últimos presidentes da República — suportando os maiores escândalos de corrupção da história da humanidade, não se pode defender a hipocrisia de que a democracia e seus fundamentos basilares estejam sendo vivenciados com plenitude em nosso maltratado país. 
Gostaria de sugerir que o Estadão não desminta meu talentoso professor do início da segunda metade do século passado. É preciso pois que os leitores tomem conhecimento de o que cidadãos crentes na verdade, livres e defensores da harmonia coletiva e institucional esperam do maior mandatário da República — ética, decência e tolerância zero com a corrupção.

# # #