quarta-feira, 6 de maio de 2020

Razões de críticas ao STF



Adaptando indagações de uma talentosa jornalista, formulo alguns questionamentos sobre a Suprema Corte brasileira.
Em algum momento da evolução do país, houve um STF “melhor” do que o atual? 
Entre as decisões do STF que mais causaram consternação e incômodo, quais seriam dignas de ênfase?
No atinente ao histórico de críticas ao STF , que aspectos essenciais podem ser citados como justificativa?

Faço uma digressão com o objetivo de alinhavar argumentos que, do ponto de vista leigo — vale dizer, de quem não militou na esfera jurídica —, possam separar o essencial do supérfluo e identificar possíveis respostas.
A comparação do STF atual com o STF do passado não é relevante. Para os estudiosos do Direito, a pesquisa correlata pode ser importante. Porém, mirando na vida real, naquilo que interessa para os cidadãos, individual e coletivamente, as diferenças históricas indicam que não tem muito sentido buscar a resposta. 
Dentre as decisões do STF que fizeram cada cidadão  consternado (com alguma delas mais incômodas), pode-se afirmar que não se trata de consternação ou de incômodo de parte de qualquer cidadão. A rigor, há um conjunto de decisões que contribuem para o que eu chamo de “autodesqualificação” do Tribunal. E nesse sentido, a consternação e o incômodo devem ser sentidos pelos integrantes do STF.

É preferível uma reflexão mais simples. E para isso vou me ater à essência da perquirição que é como explicar o histórico de críticas ao STF. Nesse sentido, preliminarmente, duas indagações são pertinentes:
(a) Os atuais integrantes do STF satisfazem de forma plena os paradigmas de notório saber jurídico e ilibada conduta?
(b) o STF atual tem condições de responder de forma adequada aos desafios da construção da democracia brasileira (lembro que a democracia brasileira está permeada por desigualdades sociais e por procedimentos políticos, econômicos e judiciais que, às vezes, maculam a vigência do Estado Democrático do Direito e, por essa razão, menciono a possibilidade de construção democrática)?

As seguintes condicionantes resultantes de notícias divulgadas pela imprensa ao longo do tempo podem alicerçar uma análise e a resposta devida:
(i)            há um ministro que em sua evolução profissional tentou em duas oportunidades realizar o concurso para Juiz de Direito — foi reprovada nas duas oportunidades;
(ii)          há um ministro que no exercício da advocacia, atuou para uma das mais hediondas organizações criminosas do País, o PCC (há exemplo similar atinente a ministro de Suprema Corte em qualquer outro país democrático do mundo?);
(iii)       há um ministro que presidiu o processo de impeachment de uma ex-presidente da República e admitiu um procedimento totalmente contrário à Constituição — não deliberar pela cassação do mandato da presidente que fora afastada pela prática de crime de responsabilidade;
(iv)        há um ministro com cogitações de práticas de atividades empresariais não compatíveis com a condição de magistrado da mais alta corte de Justiça do País;
(v)          há mais de um ministro com acusações de prática da advocacia por parte de respectivos familiares, inclusive em processos que podem ser submetidos à Suprema Corte;
(vi)        há um ministro que suspendeu ato do Presidente da República atinente à nomeação de servidor público (considerado de elevada qualificação e já ocupante de alto cargo na República) para outro alto cargo do Poder Executivo, sob a alegação de que se tratava de amigo do Presidente da República (ora, ele próprio ministro, que proferiu a decisão, fora anteriormente investido no cargo na condição de amigo do respectivo Presidente da República, inclusive servindo-o na condição de Ministro de Estado);
(vii)     a maioria dos ministros do STF não possui histórico de ocupação do cargo de Juiz de Direito (para o qual o acesso se dá por concurso público, que se constitui no primeiro passo para a assimilação de notório saber) — claro, trata-se de uma incoerência do sistema e não de cada um dos seres humanos que foram investidos na condição de Ministro;
(viii)   em mais de uma ocasião, há discussões públicas de Ministros em sessão plenária do STF, com acusações graves, ofensivas e incompatíveis com a condição de integrante da mais alta Corte de Justiça do País;
(ix)        um(a) ministro(a) deixou um processo de interesse de pessoa idosa dormir por cerca de dez anos; os interesses deixaram de existir pois o demandante falecera antes que o processo tivesse sido votado;
(x)          um ministro ao proferir sua decisão, informou que os responsáveis deveriam, se necessário, utilizar “condução coercitiva ou 'debaixo de vara' ” para conduzir três ministros do Poder Executivo para que fossem ouvidos — enfatize-se, profissionais com larga folha de serviços prestados ao povo brasileiro e a povos de outros países (isso talvez possa se explicar porque, conforme relato contido em livro, em face de um voto em desacordo com a decência e a justiça, em contato pessoal, ele foi denominado por um jurista "um merda” — pode-se presumir que é provável que ele tema pela eficácia de sua decisão, por se considerar a priori passível de desrespeito).

Em resposta às questões preliminares constantes desta análise, é evidente admitir como provavelmente verdadeiro o seguinte:
(a)   Entre os atuais integrantes do STF há aqueles que não satisfazem de forma plena os paradigmas de notório saber jurídico e ilibada conduta;
(b)  Os atuais integrantes do STF adotam decisões que não contribuem para a construção democrática aspirada e requerida pelo povo brasileiro.

Em relação à indagação essencial que se refere ao histórico de críticas ao STF, um entendimento é que a explicação é propiciada pelos próprios ministros da Egrégia Suprema Corte, cujas ações, não raro, estão em desacordo com o bom senso, a lógica, a razão e os valores fundamentais que devem presidir o mundo civilizado e democrático.

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terça-feira, 5 de maio de 2020

Produtores de anomia


O ano de 2020 começou com a pandemia do coronavírus, surgida no final do ano passado na China e, nesta altura do corrente ano, espalhada por todos os continentes; constituindo-se na maior crise social, econômica e, especialmente do campo da saúde, da existência da maioria das pessoas, incluídas aquelas que já ultrapassaram 80 anos.
A administração federal resultante das eleições presidenciais de outubro de 2018, no Brasil, constituiu-se em uma esperançosa tentativa de alterar as práticas políticas de nosso País, com o abandono do chamado “toma-lá-da-cá” nas relações do Poder Executivo com o Parlamento, com interações em bases não republicanas; bem como com a redução — senão completa mas muito próxima da redução total — da corrupção na gestão pública.
Imerso na crise da pandemia, a gestão federal tornou-se mais complexa, difícil e desafiadora. Dentre os desafios a enfrentar podem ser ressaltados: a interferência do Supremo Tribunal Federal na esfera de atribuição do Poder Executivo; e a ação do Parlamento para inviabilizar e neutralizar a ação presidencial no cumprimento das promessas feitas durante a campanha eleitoral.
Nesse contexto, indignação e ironia são pertinentes e necessárias.
A propósito, há pessoas que são igual ao Covid-19, isto é, à medida que o tempo passa pioram. 
São ilustrações emblemáticas: os presidentes da Câmara de Deputados acusados de corrupção (nessa condição estão dez dentre os últimos onze titulares da Câmara); os integrantes da Justiça que proferem decisões, que se adotados por ocasião da indicação para o cargo que ocupam, seriam impedidos de sua própria investidura (vale para aqueles cuja indicação resulta de amizade com o respectivo Presidente da República, em associação com a indigência de saber jurídico e deficiência de ilibada conduta); e os presidiários que foram indevidamente libertados (como os presidiários que se notabilizaram pelo encarceramento em Curitiba). 
Interessante, não citei qualquer nome, mas todos os leitores identificam de imediato os respectivos personagens. 
Ah, já ia me esquecendo, os adeptos dos produtores de anomia também estão no universo da virulência.
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[Mensagem divulgada no Estadão online de 5/Mai/2020]
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[Mensagem divulgada no Estadão online de 5/Mai/2020]
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[Mensagem divulgada no Globo online de 5/Mai/2020]
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[Mensagem divulgada no Correio Braziliense online de 5/Mai/2020]
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Entrevista concedida a uma jornalista


Como o senhor avaliava o trabalho do Sergio Moro?
Primeiramente, devo dizer que sou militar da reserva e falo apenas em meu próprio nome. A publicação de minhas palavras e de minhas opiniões está autorizada, porém com a restrição de que tudo que afirmar agora diz respeito a minha condição de cidadão, eleitor e contribuinte brasileiro, com liberdade para pensar, falar e agir, no limite que as leis vigentes me impõem.
No atinente à sua pergunta, devo asseverar que, na época da indicação do Sr. Moro, eu considerei um gol de placa do presidente. Mas, à medida que o tempo passou, eu entendo que foi um enorme decepção porque ele não se mostrou à altura da responsabilidade para a qual foi investido.

O senhor diz isso por causa da saída?
Considerando a cultura de onde venho — formação paterna e formação militar — ao sair, o Sr. Moro teve um procedimento condenável. Em entrevistas anteriores, ele afirmou que o presidente não agiu para intervir na Polícia Federal. Na entrevista de sua demissão, ele informou para os brasileiros o contrário do que já tinha dito. Ademais, ele não comunicou pessoal e formalmente ao presidente que estava se demitindo. Então, contrariamente ao que eu imaginava, faltou-lhe desprendimento ético e sobrou-lhe desqualificação pessoal.

Como o senhor viu a saída de Moro do governo?
Por sua ação como juiz, o Sr. Moro se transformou na esperança do país, na esperança do combate à corrupção e contra a criminalidade; e ao final não foi isso que a gente observou.
Na saída, pelo discurso apresentado na TV, ele revelou uma faceta inesperada, para alguém que recebeu as responsabilidades a ele atribuídas. Ele tinha que procurar o presidente e, olho no olho, comunicar que estava saindo e revelar as razões. Na minha cultura, na normalidade ou nas situações graves — com a prevalência das normas, da lei e da disciplina — o profissional chega para o superior e fala o que precisa, o que concorda ou discorda, o que pensa, o que vai fazer; ou se cala. Não agir dessa maneira, constitui grave quebra de valores e procedimentos.
Então, de ídolo e candidato a estadista, o Sr. Moro ingressou na condição de cidadão descumpridor de compromissos primaciais e, portanto, não confiável.

O ministro disse que comunicou ao presidente que sairia se ocorresse a mudança na PF. Isso então não aconteceu?
O que você acabou de dizer não altera o essencial. A saída do Ministério da Justiça foi comunicada formalmente pela televisão; não foi feita ao presidente que o nomeou. Há críticas ao Sr. Henrique Mandetta por sua atuação anterior em Mato Grosso do Sul; há citações de problemas com ele na atuação em hospital e na Secretaria Municipal de Saúde. E que fique claro: nesses tempos de boatos nem sempre verdadeiros, entendo que ter precaução com o que se lê e ouve é imperioso. Dúvidas não há em relação a diferenças entre o Sr. Mandetta e o Presidente da República, porém sua atitude por ocasião da demissão revelou dignidade no ato de sair do Ministério da Saúde. O Sr. Moro não teve atitude similar, especialmente, por parte de quem se apresentou como uma esperança de nosso complexo País.

Como deveria ter sido a comunicação?
Ele tinha que ter dito ao presidente que estava pedindo demissão e, posteriormente, comunicar para o País, com a qualificação e a excelência compatíveis com a estatura de quem foi elevado à condição de Ministro condutor da pasta da Justiça do País que mais de 200 milhões de brasileiros querem grandioso. Nesse contexto, bastava ter dito ‘discordo das atitudes do presidente, como não há uma convergência de pensamento opinião e de ação, saio do governo’. A forma como ele se conduziu no processo de demissão é simplesmente inaceitável.

Essa visão é compartilhada por outros militares?
Não posso falar pelos demais militares, que como eu, estão na reserva. Porém, creio na existência de uma parcela companheiros que concorda com o que estou asseverando. Conheço militares extremamente críticos em relação aos rumos do País — e aí me refiro àqueles que expressam grande comprometimento com o futuro das crianças que nos substituirão —, mas mesmo entre esses, a atitude do Sr. Moro é predominantemente inaceitável.

O problema foi sair acusando o presidente?
A maneira como o Sr. Moro saiu denota extremo cuidado com sua própria biografia, mas entendo que ele deu um passo em falso. Há um detalhe, uma questão fundamental! Ele se preocupou com a biografia dele e se esqueceu da biografia de 209 milhões de habitantes.

E o conteúdo do que o ex-ministro Moro disse?
Tornou-se uma coisa menor por uma razão simples: pegar a foto do celular da troca de mensagens dele com a afilhada de casamento e dizer que é prova. Por favor, não prova coisa alguma. A deputada estava dizendo que lutaria para defender sua possível indicação para o STF. Alegar isso como prova em um programa dominical? O que mais aflige e preocupa os brasileiros? O conteúdo da  pandemia do coronavírus ou o conteúdo da crise gerada pelo Sr. Moro?

E o outro print que Moro diz mostrar o pedido de troca na PF por causa da investigação do STF?
Troca do diretor da PF é uma atribuição do presidente da República. É atribuição específica. Sobre relatórios da PF, o presidente tem o direito de chegar para o ministro da Justiça e perguntar: ‘quero informação das questões em andamento’. O presidente não pode pedir informação ilegal — por exemplo, o que for segredo de justiça —, mas o presidente tem o direito inalienável de ser informado pelo ministro da Justiça daquilo que está em andamento no âmbito de seu Ministério.

Mas entre as diversas atribuições do presidente, não é estranho querer mudar justamente a PF do Rio?
Ninguém, nem mesmo o presidente da República pode cometer ilegalidade. O presidente foi eleito com a maioria da vontade do povo brasileiro, mas ele está sujeito à Constituição e demais leis. Cada Ministro cumpre ou declara que deixa de cumprir porque é ilegal. E nesse último caso, declara de forma clara e cristalina que não concorda e vai embora. 

Não é que não pode. Não gera um questionamento?
Sim, há uma sequência de questionamentos. O Poder Executivo não pode nomear um cidadão qualificado e de conduta ilibada para Diretor-Geral da Polícia Federal? Não pode nomear um funcionário para a Funai em determinado estado? Não pode caracterizar os estrangeiros que satisfaçam aos nossos interesses e, em caso contrário, determinar-lhes que retornem a seu País de origem? Estão aí caracterizados a interferência do Judiciário em procedimentos para o quais o Presidente foi eleito pela maioria dos eleitores e, até onde se sabe, não há choque com a Constituição e com as leis vigentes. De forma similar, há a percepção de ações do Parlamento que contribuem para a inviabilização e a neutralização do Poder Executivo. Creio que estamos em boa hora para refletir sobre o legado constitucional do Art. 2 da Constituição: 
“São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário”.

A decisão do STF questionando a impessoalidade na nomeação da PF foi mal vista?
Qual é a impessoalidade? O policial federal que foi indicado tem reconhecida qualificação profissional e ocupa um alto cargo da República. Não creio que o paradigma da impessoalidade foi contrariado. Há juristas que afirmaram isso? Ou está olhando pelo lado ideológico ou pelo lado político. Certamente não está falando pela essência da gestão pública. Se assim fosse, uma expressiva parcelas dos Ministros do STF não poderia ser indicada para aquela Egrégia Corte, já que vários demonstraram ser amigos dos respectivos presidentes da República.

A acusação do ministro Moro tem relação com impessoalidade e foi nesse sentido que o ministro Alexandre se manifestou. O senhor discorda?
A decisão foi lamentável. Foi divulgado que a decisão incomodou outros Ministros do STF, a tal ponto que um Ministro propôs ao Presidente do STF a alteração do estatuto vigente de tal sorte que apenas o colegiado possa decidir sobre questões correlatas. O que o Ministro adotou em relação à indicação do Diretor-Geral da PF contraria sua própria trajetória. Afinal, ele era ministro e amigo do então Presidente da República que o indicou. Estamos diante de absurdos que, se continuarem, podem levar o País para um rumo que ninguém quer. 

Qual rumo?
O rumo do trauma, do caos e da descrença nas instituições e, o que é extremamente grave, na própria democracia. Olhe o caos sob o ponto de vista físico, o caos é um monte de átomos, cada um girando em uma direção, batendo em outros. Isso é o caos. Não há dúvida quanto a isso. Não somos uma republiqueta. Precisamos de intelectuais e estadistas nos diversos campos do poder para decidir as grandes questões nacionais.

Quando o senhor fala em trauma, poderia ter uma alguma intervenção militar?
Num País com a estatura do Brasil? Tenho orgulho da Instituição militar a que servi durante mais de quarenta anos. Tenho orgulho de saber que nossos militares têm dado demonstrações inequívocas de qualificação profissional, desprendimento pessoal e apego à meta fundamental do povo brasileiro, que é a busca da paz e da harmonia, sob a égide da liberdade, da verdade, da coragem e da ética. Não é preciso intervenção militar, no sentido conhecido especialmente na América Latina. A Constituição contém os instrumentos para as situações extremas, dado que 
“As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes da, da lei e da ordem”.
Portanto, para fazer face a qualquer situação traumática, caótica ou de anomia, o artigo 142 da Constituição possibilita a solução institucional devida. É como penso como cidadão da República Federativa do Brasil.

O senhor então vê possibilidade de uma intervenção com o uso do artigo 142 da Constituição em uma situação de caos?
Se prevalecer o caos e a anomia, a disposição contida no artigo 142 da Carta Magna é a solução constitucional. Entretanto, para essa situação ocorrer, é preciso muita falta de juízo dos poderes envolvidos nas grandes questões nacionais; inclusive da mídia. É pouco provável mas não impossível. É preciso a compreensão de que a alternativa para a solução constitucional é a solução de república bananeira. Eu me recuso a pensar e conceber uma ideia de que ainda não chegamos a um patamar de País sério. Acho que minhas respostas a seus questionamentos refletem essa visão. Por isso, minha opinião sobre o Sr. Moro é severa. Ele não deu a mínima para isso.

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Nota. 
Até 9/Mai/2020, a entrevista não foi publicada.
Como contraria muitos interesses, é pouco provável que seja publicada na íntegra ou pelo menos parcialmente.

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Proteção, preservação e desenvolvimento da Amazônia


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Na segunda metade da década de 1950, o governo Kubistchek desencadeou a substituição da importação de bens industrializados pela implantação no Brasil de companhias estrangeiras, de tal sorte a reduzir quase totalmente a aquisição, no exterior, de bens necessários ao cotidiano dos cidadãos. 
A partir de meados da década de 1960, os governos militares empreenderam o crescimento da economia brasileira, da 43ª para a 8ª posição no ranking mundial, provavelmente o maior crescimento econômico de um país na história da humanidade. 
Do final da década de 1980, até os dias presentes, não se consegue contabilizar qualquer salto evolutivo mais significativo, de tal sorte, que o Brasil atual é o resultado da evolução conquistada no período de 1955 a 1985.
A análise da origem das empresas brasileiras aponta para uma expressiva internacionalização, caracterizada pela presença de um sem número de empresas estrangeiras em nosso País. Para ilustração, pode ser mencionado que mais de 800 empresas francesas, empregando mais de 500.000 pessoas (dados do Consulado-Geral da França em São Paulo e da Câmara de Comércio Exterior, CAMEX), e cerca de 80 empresas suecas, com mais de 130.000 empregos diretos e indiretos (dados da Câmara de Comércio Sueco-Brasileira) estão instaladas no Brasil. 
Cumpre indagar se, no período de 70 a 100 anos vindouros, o Brasil pode se encontrar entre as 3 maiores economias do mundo; com maior participação de nacionais à testa do aparato econômico do País. E mais, qual é diferencial para que isso possa vir a ocorrer. Vale dizer, que vantagens comparativas, o País dispõe, por exemplo, em relação aos Estados Unidos, Alemanha, China, Canadá, Austrália, Índia e Rússia?
Não resta dúvida de que a Amazônia pode ser o diferencial estratégico — se protegida, preservada e desenvolvida, representa a possibilidade de concretização da meta cogitada.

Então, o que fazer?
Inicialmente há que pensar e formular ideias que resultem na modelagem da política, da estratégia e das ações que visem proteger, preservar e desenvolver a Amazônia.


As seguintes indagações primaciais precisam ser colocadas e devidamente definidas, estabelecidas e, se possível institucionalizadas:


(i) a área da Amazônica brasileira;
(ii) a área está totalmente preservada;
(iii) a área está desmatada;
(iv) a área que já foi ocupada pela agricultura;
(v) a área ainda agricultável;
(vi) a área que já foi ocupada pela pecuária;
(vii) a área ainda passível de ocupação pela pecuária; e
(viii) a área que deve ser mantida intocada. 
Claro que cada tópico deve ter o quantitativo total, bem como os quantitativos de cada unidade da Federação.

Em realidade, a área a ser mantida intocada é uma premissa ou condicionante fundamental e que deve ser estabelecida de forma permanente para o presente e para o futuro. Como se verá a seguir, uma possibilidade é cerca de 70%. Mas precisa ser determinada a área referência.
As seguintes premissas ou condicionantes, visando amparar a formulação e os empreendimentos resultantes, são fundamentais:
     a manutenção de pelo menos 70% da floresta amazônica brasileira ora existente, para não alterar o ambiente amazônico — não se trata de uma questão climática e ambiental mundial; é uma questão climática e ambiental brasileira;
     a não reprodução dos processos seculares da borracha, café, soja e outros, nos quais o Brasil passou a exportar commodities e outros países passaram a industrializá-las, obter produtos e multiplicar, entre 5 e 10 vezes, seus lucros em relação aos nossos;
     a exploração das riquezas amazônicas, potencializando os lucros brasileiros em contraposição a sua potencialização por estrangeiros;
     a não substituição da realidade amazônica por ambiente de agricultura e pecuária, a não ser onde haja similaridade com as condições do Centro-Sul do Brasil; e
     a criação de condições para que a população amazônica conquiste padrões de vida condizentes com dignidade, satisfação das necessidades básicas e oportunidade para que os jovens possam evoluir de acordo com seus talentos e potencialidades.

A abordagem primacial é a busca do conhecimento das riquezas amazônicas. Nesse sentido, considera-se três vertentes primaciais: 
– as riquezas minerais; 
– as riquezas vegetais; e 
– as riquezas resultantes da biodiversidade.

A caracterização das riquezas se torna essencial. Então, ficam estabelecidos os seguintes parâmetros a serem quantificados:
– as dez maiores fontes de riquezas minerais;
– as vinte maiores fontes de riquezas vegetais; e
– as vinte maiores riquezas oriundas da biodiversidade.

Os números ora cogitados são referências que podem ser alteradas, de acordo com a conveniência ditada pelo processo de pesquisa.
Dentre as riquezas oriundas da biodiversidade, várias são riquezas vegetais. Obviamente, há riquezas vegetais que já se constituem em produto útil, apenas com o trabalho de coleta e beneficiamento; e outras — aqui consideradas biodiversidade no sentido restrito — que se transformam em produtos, como alimentos e notadamente fármacos, após trabalho de industrialização e transformação.
Para cada um dos tipos de riqueza, é imperioso determinar: sua identificação, localização, forma de exploração (ação, estratégia e política) e o potencial de resultado (custo versus benefício, valor anual, durabilidade).
De posse do conhecimento sobre os aspectos essenciais das mais relevantes riquezas amazônicas, o passo seguinte é o exercício previsão prospectiva, preferencialmente pela extrapolação retroativa, a partir de horizontes de 100 anos, 50 anos e 20 anos, estabelecendo o que esperar do ambiente amazônico, nesses períodos com foco no potencial de objetivos que se queira ao final de cada período.
É essencial pois conceituar e caracterizar a filosofia, a visão e o pensamento prevalente, em relação à política, às estratégias e as ações operacionais que satisfaça aos objetivos desejáveis. É inquestionável que tal caracterização só possa ser formulada por quem tenha a posse do conhecimento da realidade amazônica. Determinar o que quer que seja sobre realidade desconhecida é equivalente à falsificação da realidade.
As considerações aqui relatadas são contrapostas à maioria das opiniões conhecidas, uma vez que não foram divulgados estudos que contemplem a previsão do que se aspira da Amazônia nos próximos 100 anos. De forma similar, não se conhecem estudos que mapeiam de forma conveniente as riquezas amazônicas. 
Então, estas considerações podem se constituir em ponto de partida para a encomenda de estudos — ou para a ampliação ou para análise de formulações já existentes — em relação à Amazônia brasileira, com o objetivo inarredável de sua proteção, preservação e desenvolvimento; e, como corolário, com o objetivo irrenunciável de impedir sua internacionalização ou sua submissão a interesses que não sejam aqueles legítimos do povo brasileiro.

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Virulência nefasta e contagiosa


A política brasileira tem apresentado contornos inesperados. Ex-presidentes corruptos e presidiários, presidente da Câmara dos Deputados e candidatos derrotados na última eleição presidencial — todos com algum tipo de problema atinente ao comportamento diante das responsabilidades públicas — juntam-se a poderosos setores da mídia para combater o governo federal.
Uma das maiores crises da história da humanidade, resultante da pandemia do coronavírus, fica em segundo plano por força de problemas ocorridos no âmbito da Presidência da República e potencializados por aqueles que tentam criar as condições para o afastamento do mais alto mandatário do País.

Com razoável desencanto, nas celebrações deste 1º de maio, fica bem caracterizado o universo de inimigos do Brasil e do povo brasileiro, com a associação em palanque virtual dos seguintes personagens: o ex-presidente FHC, pioneiro da corrupção generalizada para a conquista da reeleição; o ex-presidente e convicto presidiário Lula, patrono da maior crise brasileira da história; o indefectível integrante da lista de propina da Odebrecht, Rodrigo Maia e, entre outros, o responsável pelo atraso do Ceará, Ciro Gomes. E o que é pior: muitos aceitam a liderança dessa virulência nefasta e contagiosa.

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[Mensagem divulgada no Estadão online de 1º/Mai/2020]
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