Dando continuidade às considerações resultantes do recebimento de um vídeo elaborado com técnicas de Inteligência Artificial sobre as peculiaridades dos Pelotões Especiais de Fronteira (PEF) da Amazônia, continuo relembrando as façanhas épicas experimentadas há 40 anos, e passo agora a aspectos extraoficiais, a que chamei de “Pérolas amazônicas”, e que compreendem também aspectos insertos no campo subjetivo da vivência humana, em relação à epopeia de 1981 a 1984, em que servi na hileia tropical — totalizando 1.400 em solo amazônico e mais de 140 dias não consecutivos, em Unidades da fronteira.
Após a conclusão de graduação em Engenharia no IME, fui classificado na Comissão Regional de Obras/12 (CRO/12), em Manaus. Passei por uma conjuntura de prática de Engenharia que enriqueceu a formação acadêmica. Salvo raras exceções, as obras não eram contratadas para execução por empresas de construção civil. Os engenheiros militares da CRO/12 assumiam inteiramente a condução do processo, elaborando os projetos de arquitetura, estrutura e instalações; planejando a execução administrativa, orçamentária e operacional; contratando pessoal e adquirindo material no comércio; e desencadeando a execução das obras.
Naquele período, tive a ventura de participar da execução de obras de construção, em conjunto com 3 outros engenheiros da CRO/12 — uma equipe reduzida, para não dizer insuficiente! Eis as obras conduzidas em Manaus:
– três conjuntos habitacionais, num total de 76 casas, para oficiais subalternos, subtenentes e sargentos, no Bairro de São Jorge;
– um conjunto habitacional com 6 casas de dois pavimentos, para oficiais superiores, na região de Bafururu, entre o centro da cidade e o Bairro de São Jorge;
– uma casa destinada a oficial-general, no Bairro de Adrianópolis; e
– nova sede da CRO/12, no bairro de São Jorge;
– Companhia de Comando e Serviço da 12a. RM, na Ponta Negra; e
– 4a. Divisão de Levantamento, na Ponta Negra.
As obras não se limitavam à cidade de Manaus. Assim, pelo menos uma vez a cada dois meses, deslocava-me para as guarnições de fronteira, para participar da execução das seguintes obras:
– construção de 6 casas para o então 1º. BFron, em Tabatinga-AM, na fronteira tríplice Brasil, Colômbia e Peru;
– construção 2 pavilhões e de 11 casas no 2º. PEF Ipiranga, na fronteira da Colômbia;
– restauração e ampliação no 3º. PEF Japurá, na fronteira da Colômbia;
– reforma de pequena escala no 4º. PEF Cucuí, na fronteira com a Colômbia;
– reforma e ampliação no 1º. PEF Palmeiras, na fronteira do Peru;
– reforma do 4º. PEF Estirão do Equador, na fronteira do Peru;
– construção de 5 casas, em Boa Vista-RR;
– construção da edificação-sede de um Esquadrão de Cavalaria, em Boa Vista-RR; e
– reforma no 3º. PEF Marco BV-8, na fronteira da Venezuela.
Nessa época, Tabatinga era a sede do Comando de Fronteira do Solimões/1º. Batalhão Especial de Fronteira (CFSol/1º.BFron) — hoje, denominado Comando de Fronteira Solimões / 8°. Batalhão de Infantaria de Selva (CFSol/8º.BIS); e era o ponto fulcral para o deslocamento para os 5 Pelotões Especiais de Fronteira subordinados, no estado do Amazonas.
As comunicações por satélite ainda não existiam, o que significava não ter, como agora, televisão e telefone. Os rádios de ondas curtas dependiam das condições atmosféricas; às vezes, permitiam o diálogo ou, não raro, apresentava uma chiadeira sem fim, que impedia o entendimento do que era transmitido. O acesso era por via aérea, em aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) — sendo que de 1981 a 1983, como as pistas de pouso de concreto ainda não estavam concluídas, era utilizado o antigo avião Catalina, que pousava na água dos rios — ou, excepcionalmente, por “voadeira”, a canoa a motor que levava um dia inteiro para retornar de um PEF a Tabatinga. O avião da FAB levando pessoal e provisões tinha uma periodicidade de 30 em 30 dias; e, quando falhava, o tempo se excedia para 60 dias.
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Pérolas amazônicas
Casa noturna BRASCOPE
As cidades Tabatinga, Letícia e Santa Rosa, brasileira, colombiana e peruana, respectivamente, localizam-se na fronteira tríplice do Brasil, Colômbia e Peru. Tabatinga sediava o Comando de Fronteira Solimões / 1°. Batalhão Especial de Fronteira (CFSol/1º.BFron), que tinha Pelotões Especiais de Fronteira (PEF) subordinados, em Ipiranga, Japurá, Cucuí, ao Norte; e Estirão do Equador e Palmeira, ao Sul. A Comissão Regional de Obras/12 (CRO/12) estava construindo 6 casas funcionais para o 1º.BFron.
Afora, o acompanhamento da construção das casas, na ida para os PEF, os aviões da FAB passavam por Tabatinga. Pelas razões expostas, eventualmente, era necessário permanecer em Tabatinga alguns dias.
A cidade tinha uma casa noturna denominada BRASCOPE, onde, nos momentos de lazer, compareciam cidadãs e cidadãos brasileiros, colombianos e peruanos.
Em uma dessas oportunidades, conheci uma jovem colombiana, que era funcionária da alfândega de seu país, em Letícia. Encontrei-a outras vezes. Seu pai e irmão foram assassinados, por causa de conflito relativo a patrimônio. Cito-a pela circunstância dramática envolvendo sua família e, também, para caracterizar o ambiente dessa complexa fronteira, onde a violência prevalecia por disputas rotineiras, pelo contrabando, pelo tráfico de drogas e pelas questões ideológicas envolvendo as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) — organização paramilitar de inspiração comunista marxista-leninista, que operava mediante tática de guerrilha.
Interação de militares com as professoras locais
Como regra geral, o efetivo de cada Pelotão Especial de Fronteira (PEF) compreendia o comandante — tenente formado na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) — um tenente médico, um tenente dentista e da ordem de 30 a 40 sargentos, cabos e soldados. Junto a cada um dos PEF, havia uma escola pública, que atendia às crianças filhas dos militares e da população que morava em áreas contíguas à Unidade militar.
Como os oficiais e as professoras locais — de nível educacional superior —estavam em plena juventude, era natural que houvesse interação afetiva entre os solteiros. Não raro, a disputa poderia ser mais intensa, notadamente, quando havia desequilíbrio na proporção de rapazes e moças. É certo que as adversidades estimulavam as interações. É inequívoco que as dificuldades potencializavam as soluções afetivas. A virtude humana empreendia a arte de bem-viver.
Em comunidades mais desenvolvidas, as conjunturas históricas dão origem a obras cinematográficas. Sobre a independência dos Estados Unidos, podem ser citados os seguintes filmes: “O Patriota”, de Roland Emmerich; “Revolução”, de Hugh Hudson; e “1776”, de Peter H. Hunt. O filme “The Crossing”, de John Woo, é ambientado na Revolução da China. A história russa é pano de fundo para o excelente filme “Dr. Jivago”, de David Lean; as questões siberianas são apresentadas de forma magistral, no filme “Dersu Uzala”, de Akira Kurosawa; e as questões desérticas da África aparecem de forma subliminar e sugestiva no filme “Casablanca”, de Michael Curtiz.
É razoável e até imperioso que os brasileiros insiram, com mais frequência, em filmes, aspectos de nossa história e de nossas personalidades. Pode-se mencionar os seguintes temas para serem levados às atuais e futuras gerações, através de obras cinematográficas:
– a expedição de Pedro Teixeira, entre 1636 e 1638, liderando mais de mil homens em 50 grandes canoas, partindo de Belém e chegando a Quito, no Equador;
– a trajetória de Ricardo Franco de Almeida Serra, de 1782 a 1809, expandindo as fronteiras brasileiras, e construindo o Forte Príncipe da Beira e o Forte Coimbra (que comandou e defendeu, heroicamente, contra os espanhóis);
– a epopeia do marechal Cândido Rondon, lançando linhas telegráficas na Amazônia e, especialmente, a participação na “Expedição Científica Rondon-Roosevelt” (acompanhando o ex-presidente Theodore Roosevelt, dos Estados Unidos, com ênfase para o percurso dos rios Ji-Paraná e Madeira);
– a épica vivência, em 1944 e 1945, na Segunda Guerra Mundial, do Coronel Nestor Silva, do Capitão Sabino e de outros.
E por que não, obras envolvendo os jovens que, bravamente, pelejam nos Pelotões Especiais de Fronteira?
Transporte de militar que faleceu
Entre as obras de restauração do 3º. PEF Japurá, estava incluída a instalação de uma nova câmara frigorífica. Havia duas razões para esse encargo. A primeira é que a câmara existente era muito velha e tanto os equipamentos elétricos quanto a cobertura das paredes da câmara precisavam ser substituídos. A outra era incomum! Com o falecimento de um militar do pelotão por cirrose hepática, houve a necessidade de transporte do falecido para o sul do Brasil, onde morava a família. Nesses casos, é habitual que o transporte se dê por meio de avião da FAB, que é mobilizada excepcionalmente para essa tarefa. Entretanto, não houve disponibilidade de avião no momento aprazado.
Por essa razão, o comandante do PEF adotou uma decisão inusitada: determinou o esvaziamento da câmara frigorífica — dividindo os alimentos entre dezenas de moradores da localidade, que os colocou nas geladeiras de suas casas — e armazenou o corpo do militar no interior da câmara. Como ocorreu uma demora excessiva no atendimento por avião da FAB, foi feito o aluguel de uma “avioneta” (pequenos aviões colombianos que eventualmente prestam serviço naquela região) e o falecido foi transportado até Manaus por esse meio.
E aí ocorreu um imprevisto: vários militares não aceitaram consumir alimento da câmara frigorífica que foi utilizada como jazigo para o defunto. Enfim, ao fim e ao cabo, a solução foi construir nova câmara frigorífica.
Retorno de Estirão do Equador
O 1º. PEF Palmeira e 4º. PEF Estirão do Equador se localizam no estado do Amazonas, às margens do rio Javari, na fronteira entre o Brasil e o Peru. Até a primeira metade da década de 1980, Estirão do Equador não possuía pista de pouso e o apoio logístico militar e o transporte de pessoal para esse PEF era realizado pelos antigos aviões Catalina que pousavam na água; ou, excepcionalmente, por “voadeira”, a canoa a motor que levava um dia inteiro para chegar a Tabatinga.
Quando eu estava fiscalizando a realização de obra, pela CRO/12, no 4º. PEF Estirão do Equador, no retorno desse local para Tabatinga, o avião Catalina — que estava superlotado, com todos os assentos tomados e quase 20 passageiros em pé no corredor — sofreu uma dramática pane no sistema hidráulico e os freios deixaram de funcionar. Então, ao pousar no aeroporto de Tabatinga, o piloto aguardou o deslocamento na maior parte da pista, o que ocasionou uma pequena redução da velocidade e, para a freagem completa, jogou o avião para a direita, de tal sorte que houvesse a parada na vegetação, com altura inferior a 4 metros, pouco densa e com os troncos e galhos flexíveis, pelo diâmetro reduzido.
Nesse instante, fui agarrado por uma passageira índia, grávida! Mantive-me em pé, segurando as alças do teto do avião, abraçado por ela. Terminado o pouso, a índia, seu filho, eu próprio e os demais passageiros salvamo-nos, porém à custa de um susto inesquecível e aterrador (que aterra e aterrorizante!).
Acompanhamento de obra em Palmeira
Eu me desloquei para o 1º. PEF Palmeira, para permanecer 30 dias e desencadear a obra de restauração programada.
Nesse período, ocorreu uma falha no apoio aéreo da FAB e, então, tive que aguardar a próxima viagem que ocorreria passados 60 dias. O material para preparo da alimentação para as 54 pessoas (42 militares acrescidos dos 12 operários da obra de restauração) acabou antes do término do período estendido.
O rio Javari não é piscoso e a caça é rara nessa região. Há uma exceção: o jacaré, que naquela circunstância, era procurado com sofreguidão. Então, durante quase uma semana, tivemos a ventura de comer jacaré, com cardápio variado, isto é, no almoço era servido jacaré com arroz e, no jantar, arroz com jacaré; tendo como único condimento, o sal, que restava um pouquinho e, para chegar ao final do período, era colocada apenas uma reduzida quantidade em cada refeição.
Pane de Búfalo do CMP em Palmeira
Na missão subsequente para acompanhamento da obra no 1º. PEF Palmeira, a Unidade recebeu a visita de uma comitiva do Comando Militar da Amazônia (CMA), integrada por oficiais do Estado-Maior daquele Grande Comando, aí incluído o oficial-general chefe do respectivo Estado-Maior.
No momento da decolagem para o retorno em direção a Tabatinga, a aeronave Búfalo C-115 apresentou pane, retornou e realizou um pouso de emergência. Para a solução, foi necessária a vinda de uma equipe de especialistas de Manaus, portando a peça danificada, o que só ocorrera passados dois dias.
Então, o tenente comandante do PEF teve o difícil encargo de hospedar o oficial-general e os oficiais superiores, em instalações limitadas, destinadas a oficiais subalternos e sargentos, bem como alimentar, com parcos recursos, a comitiva do Exército e os pilotos e sargentos mecânicos da FAB. Foi uma experiência enriquecedora, pelo enfrentamento do risco e pelo conhecimento, por parte do alto escalão, das condições modestas e desafiadoras de um Pelotão Especial de Fronteira.
Último voo do avião Catalina
Em meio à construção de dois novos pavilhões do 2º PEF Ipiranga, pela CRO/12, a FAB concluiu a construção da última pista de pouso requerida na fronteira oeste da Amazônia, de tal sorte que não haveria mais necessidade da utilização dos quase comprometidos aviões Catalina, que pousavam na água. Por ocasião da inauguração da pista de pouso, essa aeronave faria o último voo na região e depois seria recolhida para a organização militar aérea de Belém.
Nesse contexto, foi programada a participação, na viagem, de uma equipe da Rede Globo, para fazer o registro do evento em vídeo. O Catalina pousou na pista recém-construída, os passageiros — aí incluído o então Major Almeida, chefe da Seção Técnica da CRO/12 — e a equipe da rede de TV desembarcaram. A meta era o Catalina levantar voo e pousar nas águas do rio Içá, que cruzava a fronteira, para que fossem feitas as filmagens de sua última missão nas águas brasileiras.
Ao decolar, o Catalina apresentou pane e teve que retornar para a pista. O registro do evento foi prejudicado, porque esse avião jamais alçou voo. Na minha ida para o acompanhamento da construção dos mencionados pavilhões, eu tive a oportunidade de assistir à desmontagem do Catalina e transporte por via fluvial para Belém, por intermédio dos rios Içá, Solimões (o primeiro afluente do segundo) e Amazonas (continuação do anterior, com o nome consagrado).
Incidente com o Chefe da CRO/12
No início de 1983, segui para o 2º. PEF Ipiranga, como habitualmente, em avião da FAB e, no mesmo dia, retornei para Tabatinga, onde permaneci alguns dias para a fiscalização rotineira da construção de casas em andamento.
Como houve falha na viagem periódica do próximo avião da FAB, obtive autorização do Chefe da CRO/12 para comprar passagem comercial com recursos próprios, para o retorno a Manaus. Completei a viagem e passados mais de dois meses, na reunião matinal, solicitei ao Chefe da Comissão o ressarcimento do valor a que tinha direito.
O tempo passou e, na reunião matinal que antecedeu a viagem subsequente a Ipiranga, repeti, novamente, ao Chefe da Comissão a solicitação do pagamento do valor que me era devido; e ainda não fora realizado.
Ele reagiu de forma inconveniente, levantando o dedo próximo de minha face, com um tom de voz muito agressivo, como já fizera antes com outros companheiros. Reagi de forma similar, lembrando-lhe que não era seu filho nem seu criado, que não aceitava aquele tipo de tratamento e que sairia da reunião. No início da tarde, fui convocado à sua sala. Eu pedi a palavra, expus as questões relacionadas com as atividades de fiscalização das obras na viagem a Ipiranga e finalizei afirmando que no retorno não serviria mais com ele e, punido ou não, adotaria providências para obter minha transferência para outra Unidade.
Anteriormente, esse Chefe da Comissão agiu de forma inadequada com o Comandante do 2º. Grupamento Engenharia de Construção (2º. GEC). Como o Comandante da 12ª. Região Militar foi transferido para o Nordeste, ele foi substituído interinamente pelo Comandante do 2º. GEC. Este não hesitou e pleiteou aos escalões superiores a demissão do Chefe da Comissão, o que ocorrera imediatamente. Então, o destino apadrinhou-me! Fui salvo e não tive que adotar providências para sair da CRO/12.
Visita à cidade venezuelana de Santa Helena
O 3º. PEF Marco BV-8, conhecido como a "Sentinela do Marco BV-8", fica localizado no município de Pacaraima, no estado de Roraima, junto à linha divisória da fronteira entre o Brasil e a Venezuela.
Curiosamente, as edificações do PEF foram construídas com material industrializado italiano. Com o passar do tempo, o material foi se deteriorando e a recuperação não era feita, por inexistência de suprimento requerido no Brasil. Então, foi necessário que a CRO/12 programasse uma obra de reforma ampla e, em alguns casos, com a substituição completa de parede e teto de origem italiana, por alvenaria típica brasileira.
Numa das viagens a Marco BV-8 para a fiscalização da obra, aproveitei para conhecer a cidade venezuelana de Santa Helena de Uairén, que se localiza a uns 20 km ao norte de Marco BV-8. Segui em veículo, com motorista local.
Numa parada em estabelecimento comercial de Santa Helena, para lanche, houve o encontro com venezuelanos que, pela atitude agressiva, deveriam ser criminosos; até porque deixaram a entender que queriam dinheiro. Foi preciso calma e astúcia para tentar o diálogo — inclusive com o pagamento de refeição para eles — e assim evitar o pior. Livramo-nos do risco e, imediatamente, voltamos para Marco BV-8. Os recursos para pagamento dos operários da obra estavam acondicionados, de forma disfarçada, na cintura. Por pouco, essa visita não se transformou em prejuízo desastroso.
Morte de operário em choque elétrico
A maior parte das obras da CRO/12 em andamento eram realizadas na cidade de Manaus. Vale a pena destacar a construção da Companhia de Comando da 12ª. Região Militar, na avenida Coronel Teixeira, na Ponta Negra, em Manaus.
Excepcionalmente, para essa obra fora contratada uma empresa de construção civil local e aos engenheiros da Comissão cabia apenas a fiscalização do empreendimento.
Por ocasião da realização da estrutura de concreto da cobertura do segundo andar, dois operários estavam tentando colocar um vergalhão de 6 metros em uma viga e deixaram uma metade da peça de aço para fora da área em construção, na posição horizontal. A ponta do vergalhão tocou na rede de alta tensão de 13,8 kV paralela à edificação. O choque resultante foi violento. Um dos operários foi jogado no chão e sobreviveu; o outro ficou agarrado ao vergalhão, recebeu todo o impacto da descarga elétrica de alta tensão e faleceu na hora.
O fato dramático resultou em consequência financeira para a empresa responsável pela obra. Nos tempos atuais, com o Poder Judiciário mais atuante, certamente, a família ingressaria na justiça contra a empresa, bem como contra o órgão contratante, no caso, a CRO/12. De qualquer sorte, a realização de obras implica em cuidados e responsabilidades que ultrapassam o que preconizam os livros e os respectivos protocolos de ação.
Visita às edificações e microusinas elétricas de novos PEF
É aconselhável dar um salto, do início da década de 1980, quando servi na CRO/12, em Manaus, para a década de 1990, quando servia na Diretoria de Obras Militares (DOM), em Brasília. No início de 1991, o Diretor da DOM resolveu visitar as edificações e obras em andamento nos PEF. Ele se fez acompanhar deste oficial e do chefe da Assessoria de Projeto da DOM; a partir de Manaus, do chefe da CRO/12 e de um Adjunto da Seção Técnica; a partir de São Gabriel da Cachoeira, do comandante do então 5º. BFron.
Depois que saí da CRO/12, foram implantados os seguintes Pelotões Especiais de Fronteira no extremo noroeste amazônico: 1º. PEF Iauaretê, 2º. PEF Querari, 3º. PEF São Joaquim.
Esses Pelotões Especiais de Fronteira se notabilizavam por duas razões: surpreendentemente, foram construídos com madeira (mesmo na Amazônia, não é comum aquartelamentos de madeira) e foram dotados de microusinas hidrelétricas. Era imperioso pois que o próprio Diretor da DOM, acompanhado da comitiva citada, observasse o estado das edificações novas, com as construções concluídas; e as microusinas, cujas construções estavam em andamento. A visita transcorreu segundo as expectativas.
A microusina de São Joaquim ficava a cerca de 3 quilômetros da sede do PEF e da pista de pouso. Por essa razão, somente eu e o oficial Adjunto da CRO/12 fomos verificar o estado da obra. Como o tempo era exíguo, fiz uma parcela do percurso correndo — uma atividade difícil, em terreno acidentado, com trechos inundados; e vestindo a farda camuflada e calçando coturnos. Isso era possível porque eu estava treinando para a realização da maratona em Brasília e estava em excelente condição física. O oficial Adjunto teve enorme dificuldade em me acompanhar — a rigor, retornou com quase meia hora de atraso.
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Pelotões Especiais de Fronteira da Amazônia Ocidental
8º. Batalhão de Infantaria de Selva (8º. BIS) – Tabatinga-AM
1º. PEF Palmeira do Javari-AM
2º. PEF Ipiranga-AM
3º. PEF Japurá-AM
4º. PEF Estirão do Equador-AM
5º. Batalhão de Infantaria de Selva (5º. BIS) – São Gabriel da Cachoeira-AM
1º. PEF Iauaretê-AM
2º. PEF Querari-AM
3º. PEF São Joaquim-AM
4º. PEF Cucuí-AM
5º. PEF Maturacá-AM
6º. PEF Pari-Cachoeira-AM
7º. PEF Tunuí-AM
7º. Batalhão de Infantaria de Selva (7º. BIS) – Boa Vista-AM
1º. PEF Bonfim-RR
2º. PEF Normandia- RR
3º. PEF Marco BV-8/Pacaraima- RR
4º. PEF Surucucu- RR
5º. PEF Auaris-RR
6º. PEF Uiramutã-RR
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