sexta-feira, 31 de março de 2023

A Revolução de 1964

 

Palavras alusivas à Revolução de 1964 proferidas em 31/Mar/2023, na reunião mensal da Turma Marechal Mascarenhas de Moraes, em Brasília


Meus amigos da Turma Marechal Mascarenhas de Moraes!

Inicialmente, gostaria de dizer que há aspectos delicados e sensíveis nesse tema, que impõem cuidado com as palavras. Por essa razão, resolvi valer-me de garranchos previamente preparados, para dirigir-me a vocês.

Gostaria de expressar o agradecimento ao Simões Junior que, com argúcia e iniciativa, colocou o tema da Revolução Democrática de 1964 na agenda de nossa Turma. 

Para mim, é um pouco complexo tratar desse assunto, uma vez que muitos, talvez a maioria aqui presente, tem maior conhecimento do que eu. Então, o que falar? Minha intenção não é transmitir fatos históricos para os ilustres companheiros que, sem qualquer dúvida, são conhecedores do assunto, mas modestamente dar dois depoimentos pessoais. Um que remonta aos idos de 1964, e outro, recente, do corrente ano.

 

 

O primeiro testemunho vem de minha adolescência.

Minha família é originária da roça, de uma ponta da fazenda de meu avô, onde nasci e morávamos. Dos 6 para os 7 anos, com o objetivo de estudar, fui morar em uma pensão em Rochedo, lugarejo próximo da fazenda, que na época tinha cerca de 2000 habitantes, a 80 Km de Campo Grande, atual capital de Mato Grosso do Sul.

Quase dois anos depois, meu pai decidiu vender os poucos bens que amealhou e mudou-se com a família para Rochedo. Comprou um pequeno comércio em estado falimentar e fê-lo prosperar a tal ponto que se tornou um dos dois maiores estabelecimentos comerciais rochedenses, com a venda de secos e molhados, ferragens, tecidos, roupas, calçados — essas coisas que qualquer vilarejo do interior costuma ter e que, agora, às vezes, recebe o nome de “Mercadinho”. 

Em meados de 1963, formou-se em Rochedo um famigerado “Grupo dos 11” — que desafortunadamente medrou em quase todo o país. De ações privadas na casa de um e de outro dentre seus integrantes, o grupo evoluiu para o proselitismo público em favor da adoção do comunismo, através de um alto-falante que alcançava a maioria da população. Meu pai que exercera a função de Tabelião, depois Juiz de Paz e depois presidente do partido PSD, era adversário desse grupo. 

Pois bem, no início de 1964, a atuação do “Grupo dos Onze” tornou-se mais escancarada e ousada. Em relação ao comércio de meu pai, eles passaram a divulgar que com a vitória da revolução socialista, os bens de nosso estabelecimento comercial seriam distribuídos na praça da cidade e papai seria surrado em público para aprender a se comportar de forma adequada.

Meu pai era exímio atirador, tinha algumas armas e passou a se preparar para algum contratempo. Ele avisou a um dos integrantes do “Grupo dos Onze” que a qualquer ameaça ou risco para ele ou para os bens da família, ele reagiria e meteria bala nos agressores. Se ele tivesse que morrer, isso não era problema, mas ele levaria junto uma meia dúzia.

Retornando a 1960, nesse ano, eu terminei o curso primário em Rochedo e fui para Campo Grande, onde morava num hotel de um amigo de papai, curiosamente, chamado Hotel Liberdade, e estudava no Colégio Estadual Campo-grandense.

Em 1964 — aí pelos primeiros dias de março — papai mandou que eu fosse para Rochedo para ter uma conversa com ele e me afirmou que, diante da hipótese de vitória do comunismo, havia chance de a família perdê-lo, pois ele cumpriria a declaração que tornara pública de enfrentar os integrantes do “Grupo dos Onze”. E nesse caso, ele me fez prometer que, se ele fosse sacrificado, eu deveria largar os estudos e trabalhar para ajudar mamãe a criar os meus irmãos.

O Contragolpe de 1964 impediu o desastre e em meados de abril eu tive a oportunidade de assistir à primeira festa organizada por meu pai — uma festa pública para comemorar os novos tempos que representaram o advento do Regime Militar capitaneado pelo Marechal Humberto Castelo Branco.

Por oportuno, destaco dois trechos de seu discurso de posse, de cunho político, estratégico, épico e até literário, perante o Congresso Nacional:

“... Farei quanto em minhas mãos estiver para que se consolidem os ideais do movimento cívico da nação brasileira ...., para restaurar a democracia e libertá-la de quantas fraudes e distorções a tornavam irreconhecível. ...” 

— Parece que o insigne estadista está falando dos dias atuais.

“... Meu governo será o das leis, o das tradições e princípios morais e políticos que refletem a alma brasileira. O que vale dizer que será um governo firmemente voltado para o futuro. ...”

— A visão do Marechal Castelo Branco nos motiva a não desanimar, perseverar e alterar o atual estado de coisas em futuro próximo para o êxito de todos em futuro médio e distante.

 

 

Agora, o segundo testemunho.

No início de março deste ano, fui procurado por uma jornalista com quem tenho interagido desde 2018. De lá para cá, tivemos uma meia dúzia de contatos presenciais ou telefônicos. Essa jornalista alega que quer saber e entender a visão do nosso lado.

Dessa feita, ela queria saber minha opinião sobre os acontecimentos da atual conjuntura pós-eleitoral. Minha percepção é que o objetivo principal dela — não explicitado — era que eu tratasse das decisões do Alto Comando do Exército.

A conversa girou sobre os acontecimentos políticos e quando ela tentou cuidadosamente direcionar a interação para questões militares, eu fui um pouco taxativo e disse que o meu Exército era o Exército nascido em Guararapes, que mandou de volta os holandeses; o Exército de Caxias, que garantiu a integridade territorial brasileira, em face de conflitos internos, e assegurou a inviolabilidade de nosso território na guerra contra o Paraguai; o Exército de Mascarenhas de Moraes que contribuiu para varrer da Europa o nazismo; e o Exército Redentor que impediu o comunismo de se instalar no Brasil em 1935 e 1964. Enfim, o Exército que se apoia num pentágono: a verdade, a liberdade, a coragem, a ética e a democracia, esta resultante dos quatro aspectos primordiais que a precedem.

Nesse ponto, de forma inesperada para mim, a jornalista mencionou que a Guerrilha do Araguaia era uma exceção na evolução que mencionei.

Retirei das entranhas alguns argumentos históricos para replicar a ela. Afirmei-lhe que Mao Tse Tung assumiu o poder em 1949 e, dando vazão a seus instintos hediondos de grandeza, sacrificou mais de 60 milhões de chineses — aí incluídos o Marechal Ho Lung, um estreito colaborador do ditador, que morreu no cárcere em condições degradantes; o General Xu Guang-da, vice-ministro da Defesa, que foi interrogado mais de 400 vezes e foi brutalmente torturado ao longo de 18 meses; Liu Shao-chi, presidente da China até 1966, que com a família, foi submetido a um tribunal e depois de prisão degradante, com sofrimento físico e mental, veio a falecer; o marechal Peng De-huai, Ministro da Defesa, foi submetido a denúncia e prisão degradante, e a família considerada pária; o Marechal Lin Biao, comandante do Exército e nomeado oficialmente sucessor de Mao na direção do Partido Comunista Chinês (PCC), que negou-se a submeter à humilhação da autocrítica, tentou fugir de avião para Moscou, com a família e encontrou a morte em acidente aéreo inexplicado; e finalmente, o caso mais emblemático e brutal: Chou En-lai, o segundo mais poderoso da China, estava com câncer, os médicos deram a informação primeiramente a Mao, e este, inicialmente, negou que ele fosse submetido a tratamento — o tratamento tardio ocorreu por decisão secreta e corajosa do chefe da equipe médica, porém Chou En-lai morreu precocemente, deixando de ser ameaça ao ditador. 

Ademais, Mao Tse Tung queria espalhar o maoísmo pelo mundo e mandou instalar campos secretos de treinamento nas circunvizinhanças de Pequim para receber militares comunistas do Terceiro Mundo para treinamento, “domesticagem” e agravamento da doença ideológica, aí incluída a instrução para guerra de guerrilha.

O Partido Comunista Brasileiro era alinhado de Moscou de Kruschev e de seu processo de “desestalinização”. Uma dissidência do PCB, liderado por Maurício de Grabois, João Amazonas e outros adotou a linha de Mao Tse Tung, fundou em 1962 o Partido Comunista do Brasil (PC do B) e, a par de participação, inclusive nos campos de treinamento na China, desencadeou o movimento da Guerrilha do Araguaia, no Sul do Pará.

Para caracterizar para a jornalista o acerto do Exército Brasileiro e do regime resultante do Contragolpe de 1964, em relação a esse movimento sedicioso, com a eliminação de quase uma centena daqueles que queriam implantar o comunismo no Brasil, eu me vali do testemunho do Embaixador Colombiano, com quem interagi no Irã. O Embaixador Ramiro — que era historiador e conhecia até fatos da história do Brasil que eu desconhecia — declarou que se as Forças Armadas colombianas tivessem agido como as brasileiras e tivessem eliminado o foco de guerrilha inicial (que começou como em Xambioá, com uma centena de insurgentes) a Colômbia não teria chegado ao desastre de mais de 100.000 cidadãos sacrificados pelas FARC.

Enfatizei para a jornalista que a origem do movimento insurreto instaurado no Araguaia (fundamentado no regime maoísta, de caráter brutal, hediondo e contrário aos valores essenciais da civilização) e a ação cirúrgica do regime militar foram a solução mais adequada para a posteridade brasileira.

Dito isso, a jornalista deixou qualquer hesitação e foi direta a outro assunto que lhe estimulava em nossa interação: perguntou como eu via a ordem emanada do Comando do Exército no sentido de cancelar as celebrações de 31 de março. Respondi-lhe com firmeza que não faria comentários desse tema para ela; e aduzi que, no Exército de onde eu vinha, na maioria das vezes, a concordância é desnecessária; e a discordância é manifestada prioritariamente para a autoridade da qual a gente discorda.

Bom, caros amigos e irmãos, essa opinião — isso de crítica e discordância — vale para esse momento que estamos vivendo agora, nessa reunião de confraternização. Creio que não nos cabe exercer a crítica e manifestar eventuais discordâncias atinentes à atual conjuntura militar. Não devemos jamais renunciar à condição de soldado.

 


Hoje, estou cumprindo a indicação do amigo Simões Junior para dirigir a palavra aos integrantes da Turma Marechal Mascarenhas de Moraes. Meu coração e minha mente estão plenos de alegria e emoção. Ressalto a vitória do Contragolpe de 1964 para vocês, meus companheiros de turma, meus irmãos de fé e de valores que pertencem a toda a humanidade — os valores daqueles que prezam e defendem a liberdade, a verdade, a coragem e a ética e entendem que a vitória da democracia e a existência de um mundo melhor prevalecerão para nossos filhos e netos.

Por último e fundamentalmente relevante, entendo que relembrar e impedir que a verdade seja conspurcada, no que se refere ao Contragolpe de 31 de março de 1964 é nosso dever inalienável.

Então, minhas palavras se inserem e se contextualizam na caracterização ora exposta que não nos tolhe a iniciativa nem nos mergulha na covardia. Os heróis de 1964 não podem e não devem ser esquecidos — sejam aqueles que colocaram a vida em risco, sejam aqueles que pereceram na luta terrível que objetivou impedir o sucesso do comunismo em nosso País.

Hoje, estamos aqui para homenageá-los e o fazemos com muito orgulho, à luz da inspiração do Marechal Mascarenhas de Moraes — e dos seus comandados dentre os quais podemos enfatizar o Ten Cel Nestor, o Asp Of Raul, o Cap Sabino, o 2º Sgt Barbosa, o 2º Sgt Magno, o 2º Ten Torres, o 3º Sgt Oliveira, os dois Sd Dal Bello e o 1ª Classe MO Felix (digníssimos heróis que combateram na Itália, e pais de colegas de nossa turma) — enfatizo: à luz da inspiração do Marechal Mascarenhas de Moraes, bem como da fraternidade da turma que temos a honra de pertencer e que carrega o ínclito nome do herói inspirador.

Muito obrigado, meus irmãos!

Brasília, 31/Mar/2023

Aléssio Ribeiro Souto

 




Reação dos amigos






























 


 


domingo, 26 de março de 2023

Risco, ameaça e incerteza

 

Os figurões da imprensa deram grande contribuição para a vitória do ex-honesto, ex-corrupto, ex-condenado e ex-presidiário na eleição para a Presidência da República de 2022. Com as crises e traumas que prevalecem no novo mandato, os apoiadores midiáticos oscilam entre o apoio e o temor em relação ao futuro. Dessa feita, como por razões de saúde, o mandatário cancelou ou adiou a viagem à China, alguns jornalistas publicaram matérias expressando lamento pelos problemas de ordem pessoal e política que o Sr. Lula está enfrentando e pela possível perda de oportunidade em relação à interação com os asiáticos. Convém contextualizar essa questão. 

 

Entregar o Brasil para a China revela enorme ignorância e ignomínia inigualável. Basta lembrar que, quanto eram fraquinhos, os chineses passaram a perna nos Estados Unidos e na União Soviética. 

O cientista chinês que fez doutorado na América, fundou o 1º laboratório de jato propulsão, foi comissionado coronel para, em 1945, entrevistar cientistas alemães, foi pego passando os dados para a China, perdeu o posto e foi preso. Depois de libertado, retornou para seu país, tornou-se pai do projeto de propulsão espacial chinês, aí incluídos os mísseis intercontinentais voltados para os Estados Unidos. 

 

Quando Mao triunfou, em 1949, foi para Moscou encontrar-se com Stalin, firmou vários projetos de cooperação, onde se destacava a promessa de uma bomba atômica para obtenção de dados. Em 1959, Krushev foi para Pequim, questionado, negou a promessa; os chineses que tinham montado um projeto nuclear paralelo secreto, riram, e depois chegaram às bombas de plutônio e hidrogênio. 

Enfim, ter mandatário responsável por encrencas insuperáveis coloca o Brasil no maior retrocesso da história humana. Destarte, o povo brasileiro está diante de risco, ameaça e incerteza em face da inevitável prevalência da distopia.

 

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[Divulgado no Estadão online de 26/Mar/2023]

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sexta-feira, 24 de março de 2023

E o futuro do Brasil?


Formadores de opinião que foram favoráveis ao ex-honesto, ex-corrupto, ex-condenado e ex-presidiário passaram a tecer comentários críticos e preocupantes em relação aos destinos do Brasil com a gestão do caboclo que foi responsável pela maior crise da história brasileira e quiçá humana. Que expectativa e esperança pode o cidadão nutrir em relação à posteridade?

 

 

O que esperar de meliantes que foram condenados, trancafiados, libertados e depois tornaram-se mandatários de seus respectivos países? Estão nessa amostra de universo: Stalin, Hitler, Pol Pot (este, a rigor não foi preso, pois refugiou-se na mata), Fidel Castro, Hugo Chaves e Lula. Com uma exceção, as prisões ocorreram por razões políticas. Apenas um foi condenado por corrupção e rapinagem.

 

 

 

Por óbvio, não há perspectiva senão de inexcedível retrocesso histórico, político, social e econômico. Então, urge manter o esforço e a pegada para que, no próximo pleito presidencial, os cidadãos brasileiros não repitam o terrível equívoco de 2022, quando alçaram à Presidência da República, alguém em descompasso com a grandeza humana, territorial e de recursos naturais do Brasil.

 

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[Divulgado no Estadão online de 24/03/2023]

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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

Um relato pungente

 

A querida sobrinha Cynthia Renata Vilela conquistou uma vaga em centro de pesquisa médico dos Estados Unidos para tratamento experimental de seu filho Vinicius, de 10 anos, acometido por Distrofia de Duchene, uma doença rara, atualmente sem cura; e que leva o jovem, no início da adolescência, para cadeira de rodas, com estimativa de vida que pode ser menor do que 30 anos. 

Com vocação e vigor inexcedíveis, essa guerreira foi para os Estados Unidos, onde o filho está se submetendo à experiência com novas drogas e processos, e de onde ela está espalhando sua generosidade e bravura. 

Tudo indica que o tratamento experimental está começando a alcançar êxito, uma vez que a situação do Vinicius está estável, vale dizer, a doença não está progredindo. Ele está com 14 anos, está estudando e é um dos destaques de sua turma.

A seguir o relato de uma circunstância plena de talento e inigualável grandeza — um relato pungente.

 

 

Certa vez, em um momento de frustação, o Vini — chateado com a maldade de um garoto que o havia ofendido, o que já ocorrera várias outras vezes, de parte de outros garotos — me questionou por que Deus escolheu justamente ele para ter uma doença rara.

Eu, que já havia passado por tantas outras situações de frustação com ele, disse:

— Filho, eu já te falei várias vezes: Deus te deu uma missão, e certamente, não seria qualquer garoto que conseguiria receber essa missão e lutar tão bravamente como você está lutando.

E continuei:

— Eu também recebi uma missão: ser a mãe de um filho com Duchene, e preciso ter muita força para cumprir a minha missão e fazer o que Deus espera de mim.

— O Papai também recebeu uma grande missão: ser pai de um filho com Duchene e cuidar de todos nós.

O Fred, filho mais novo, na época, estava começando a entender um pouco mais sobre a doença do irmão. Ficou muito triste ao ver a tristeza do Vini e me perguntou: 

— Mas mamãe, Deus não me deu nenhuma missão?

Nessa hora, foi difícil segurar a emoção, pois me dei conta do quanto Deus é maravilhoso em nos dar uma família para compartilhar os momentos de alegria, de conquistas, de dor e de sofrimento. Então, respondi:

— Fred, meu filho, Deus te deu uma missão muito importante: ser irmão do Vini, para cuidar, ajudar, amá-lo ... e fazer tudo isso que você faz tão bem. Deus não poderia ter feito uma escolha melhor, pois você é o melhor irmão para o Vini.

Acabamos essa conversa com muitos abraços, beijos, choros e risadas.

Não tenho como acabar com a maldade das crianças que irão cruzar o caminho de meus filhos, mas tenho como deixá-los fortes, com valores rígidos para encarar os vários obstáculos que eles terão que enfrentar pela frente.

 

 


domingo, 22 de janeiro de 2023

Crônica sobre distopias — Junniety Ju versus Gleiffy Hoffel


Um astrólogo escreveu uma pequena crônica atinente a eventos fictícios de um planeta recém-descoberto pela observação do novo telescópio da agência espacial mais avançada da Terra. Qualquer semelhança com trapalhadas terrenas é mera coincidência. Ou não!

 

 

Junniety Ju versus Gleiffy Hoffel

 

No país denominado CorruPTozumba, pertencente a um planeta recém-descoberto por intermédio do telescópio James Webb, o mandatário de província Zecu PuTu, do estado “Mike Sierra”, foi instado pelo mandatário Luma Sierra a convidar Paolo Barnerdo e a amásia Gleiffy Hoffel para integrarem sua gestão provincial. Paolo Barnerdo não se elegera parlamentar no estado“Papa Romeu”. Destarte, Paolo Barnerdo e Gleiffy Hoffel tornaram-se assistentes da administração de Zecu PuTu.

Com o curso dos acontecimentos, Gleiffy Hoffel se transformou em amante de Zecu PuTu. Subsequentemente, Paolo Barnerdo e Gleiffy Hoffel foram convocados para a Administração de Luma Sierra e se tornaram conselheiros. Ambos se envolveram nos monumentais escândalos de corrupção — a marca registrada daquela Administração. Foram salvos do xadrez pelos ministros da Ínfima Corte, apaniguados dos próceres da corrupção. Gleiffy Hoffel foi acusada de uma série de trampolinagens financeiras e afetivas; e, exatamente por isso, fora indicada por Luma Sierra para se tornar gerente-mor do partido.

Um empresário do estado “Papa Romeu”, com panca de ator hollywoodiano, casou-se com uma milionária de seu estado. Para herdar-lhe a fortuna mandou assassiná-la. Com a participação e supervisão de sua amante Junniety Ju, costumava dar festas orgíacas em seu sítio. Numa dessas, Luma Sierra foi convidado para o evento festivo e nas tratativas habituais interessou-se por Junniety Ju. Então, o empresário não hesitou em abrir mão de Junniety Ju em favor do convidado ilustre.

Na condição de maior personagem dos meandros das vilanias político-econômicas da história planetal, Luma Sierra foi acusado, julgado e condenado ao cárcere. Junniety Ju passou a visitá-lo no esconderijo em que ele estava enjaulado.

Integrante da Ínfima Corte, cumprindo seu papel distópico, determinou a liberdade de Luma Sierra, para que ele se oferecesse para ocupar o cargo supremo de CorruPTozumba — tornado escárnio global por essa súcia de malfeitores insuperáveis na arte de malfeitos.

Em face da associação com a população carcerária, com os políticos das sendas corruPTas, com a mídia Fake News e com a intelectualidade portadora de doença incurável (resultante do “corruPTovírus”, a maior praga das criaturas de CorruPTozumba) e também com o apoio afetivo de Junniety Ju e político-afetivo de Gleiffy HoffelLuma Sierra logrou êxito em seu intento criminoso para o qual fora desenjaulado.

Junniety Ju foi tocada por um sentimento de doentia exclusividade — já que não aceitava a antiga parceria afetiva de Luma Sierra e Gleiffy Hoffel — e, por via de consequência, determinou o completo afastamento de Gleiffy Hoffel das sendas políticas, afetivas e outras de qualquer ordem.

Assim, fica arquitetado o cenário conjuntural atinente à política e às interações afetivas da organização criminosa que prevaleceu no malsinado CorruPTozumba, pertencente a planeta que o telescópio James Webb permitiu a infelicidade de identificar. Ademais, fica evidenciada a razão do recente sumiço de Gleiffy Hoffel

Junniety Ju realmente demonstrou energia e fé na desembestada história jamais imaginada na distante galáxia que abriga os construtores de distopia somente possível com a participação de entes acometidos por moléstia ideológica contagiosa e incurável.


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quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Problemas brasileiros cruciais


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Diante da análise cuidadosa da atual conjuntura, formulada por um fraterno companheiro, com ênfase para as notícias eivadas de falsidade ou de intenção que objetivem interesses particulares, especialmente, aquelas oriundas daqueles que exploram as redes sociais, de tal sorte a açular negativamente uma parcela bem intencionada da população brasileira, convém agregar valor e oferecer alternativa para a avaliação arquitetada

Deve ser ressaltado que, por críticas infundadas a integrantes da caserna, as ações citadas acabam por estimular a divisão, a derrota da confiabilidade e a perda da coesão entre os militares.

Por via de consequência, é relevante apontar aspectos primaciais da atual conjuntura brasileira.

 

 

Preliminarmente, é oportuno enfatizar que o Brasil tem dois problemas cruciais. Um enorme: o Judiciário. Outro menor: a ocupação do Executivo por uma quadrilha.

No que diz respeito ao Judiciário, há uma avaliação que provavelmente nenhum brasileiro a tenha realizado antes. Examinando-se o perfil de cada um dos integrantes das Suprema Corte dos Estados Unidos e do Reino Unido, e dos Tribunais Constitucionais da Alemanha e da França, constata-se que nenhum deles tem alguma dentre as seguintes “virtudes”:

– reprovação em concurso para juiz; 

– prestação de serviços advocatícios para organização criminosa; 

– prestação de serviços advocatícios para condenado por assassinatos em país democrático;

– permissão para a esposa trabalhar em escritório que lida com causa que pode ser submetida a julgamento na Suprema Corte;

– atividades empresariais incompatíveis com o cargo; 

– difamação de instituições e autoridades brasileiras no exterior; 

– tratamento de questões judiciais fora dos autos do processo; e 

– militância em campanha política de partido responsável pela maior corrupção da história; e 

– descumprimento e conspurcação da Carta Magna com decisões espúrias e inconstitucionais. 

Por certo, Rui Barbosa se assustaria, e mais do que isso, envergonhar-se-ia em dobro, se nosso contemporâneo fosseÉ bom relembrar o que dissera a ‘Águia de Haia’ em célebre oração: 

“... Ao lado da vergonha de mim, tenho pena, tanta pena de ti, povo brasileiro! De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer as injustiças, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto!”

 

 

No que concerne ao Executivo, alguns aspectos devem ser considerados. O primeiro é a constatação de que o candidato vencedor foi tirado do cárcere, onde cumpria sentença a que fora condenado em três instâncias judiciárias, por juiz, três magistrados e cinco ministros, respectivamente, para concorrer à presidência da República, uma das maiores aberrações jurídicas que se tem notícia — não se tem notícia que algo similar tenha ocorrido entre sumérios, assírios, persas, gregos, romanos (o traço de ligação entre a Antiguidade e os tempos atuais), bem como britânicos, americanos, alemães e franceses. 

O aspecto seguinte é a dúvida alicerçada em fatos incontestáveis de que o corrupto ladrão, supostamente vencedor, não teria ganho a eleição — deve ser ressaltado que, com o apoio de ministros, magistrados despojados de ilibada conduta, impediu-se qualquer verificação razoável dos dados da eleição. 

Dos dois primeiros aspectos, decorrem a questão provavelmente mais grave: a falta de iniciativa, desprendimento e coragem de certas lideranças, com fulcro nas militares, para levar avante as medidas saneadoras que convinham e mais do que convir, eram imperiosas.

Por oportuno, cumpre acentuar que as esquerdas passaram décadas tentando dividir, conspurcar e até mesmo desmoralizar os integrantes das instituições militares, e não tiveram sucesso. Da atual omissão de lideranças, resultou êxito naquilo que os oponentes falharam. Ademais, as consequências se estenderam a cidadãos civis apoiadores nossos, dos campos religioso, empresarial e acadêmico, o que significa um balde de falta de confiança na mais confiável parcela da nacionalidade. 

Como avaliação conclusiva, reproduzo agora um texto que divulguei, tentando ser sereno, tranquilo e cuidadoso.

A propósito dos combatentes da Força Expedicionária Brasileira, na Itália, em 1945, cumpre destacar seu papel heroico em defesa da liberdade, ao lutarem com bravura contra o socialismo, isto é, contra o nacional-socialismo [nazismo], irmão siamês do socialismo real [comunismo].

Aqueles que colocam a vida em risco no campo de batalha jamais agem com covardia diante dos riscos oferecidos pelos socialistas, implacáveis oponentes da liberdade.

A propósito daqueles que são favoráveis à investidura de socialistas, notórios e implacáveis corruptos, em elevadas instâncias da República, cumpre asseverar que eles não trocam 20 dias de glória por 20 anos de problemas com os adeptos do socialismo, contudo, fazem a opção por 20 anos de problemas para aqueles que defendem a liberdade.”

Poderia acentuar que eles fazem a opção por 20 anos de retrocesso na evolução social, política e econômica do Brasil. E mais jogam o País e sua enorme população no caminho dos povos cubanos, venezuelanos e, mais recentemente, dos argentinos e chilenos. Jogam o País na maior catástrofe da atualidade global.

Os dois grandes argumentos para a não intervenção — as consequências internas de uma intervenção na realidade brasileira, bem como as consequências externas, especialmente, pressões internacionais insuportáveis — constituem uma visão medíocre. O Irã tem petróleo (que existe em outros lugares) e tem passado por décadas pela respectiva pressão, com terrível embargo; eles têm suportado, mas são de outra índole que os brasileiros. O Brasil alimenta um quinto da humanidade; que venham as hipotéticas pressões e que esse quinto fique com fome, até porque alimento não existe alhures — vale dizer, a hipótese jamais se tornaria realidade. Simples assim!

Minha contundência pode ser uma questão de estilo, mas é também — e sobretudo — resultado de robusta indignação e inconformismo. Por isso não peço desculpas, para não serem confundidas com medo, o que importaria traição ao futuro das próximas gerações (que incluem minhas filhas).

Nesse contexto, não importa se esta visão é virtuosa ou plena de vícios, correta e objetiva ou não, ... em qualquer circunstância, ela se constitui em provocação para desafiar as melhores mentes. 

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