A especialista em educação Renata Cafardo apresentou uma interessante avaliação dos resultados do ensino fundamental no âmbito do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que também compõe o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), divulgado neste mês pelo Ministério de Educação (MEC).
Nesse sentido, são destacadas os municípios que tem porcentual de crianças tanto no 5.º ano quanto no 9.º ano com aprendizagem “adequada” em Língua Portuguesa e Matemática, bem como aqueles que deixam a desejar e apresentam aprendizagem “abaixo do básico”.
Considerando-se os 10 principais municípios em cada uma das duas abordagens, constata-se que no Nordeste há prevalência de estudantes “abaixo do básico” tanto em Português, quanto em Matemática, contudo Teresina constitui-se em magnífico destaque no resultado “adequado”.
A indagação crucial é: o que fazer para melhorar a educação brasileira e tornar mais equilibrados os resultados?
Algumas considerações para melhorar a educação no Brasil:
- avaliar e identificar as ações dos diretores e professores das escolas com melhor desempenho;
- propiciar curso de treinamento — a ser repetido, com viés atualizado e aperfeiçoado, com frequência semestral — para todos os diretores e professores das demais escolas, com base nas ações identificadas nas melhores escolas;
- estabelecer metas de desempenho e resultados para todas as escolas;
- adotar medidas de estímulo para os diretores e professores das escolas que atingirem as metas estabelecidas (inclusive estímulo de ordem financeira);
- substituir os diretores e professores das escolas classificadas entre as 10% de piores desempenho e resultados;
- condicionar a concessão de recursos financeiros do governo federal para os governos estaduais ao cumprimento das metas de desempenho e resultados das respectivas escolas — idêntico procedimento para concessão de recursos para os municípios;
- em síntese, avaliação e premiação continuadas e permanentes, com a mobilização subjetiva, psicológica e até mesmo espiritual, se possível — não é isso que os pais bem-sucedidos fazem para o sucesso dos filhos?
Ademais, as discussões sobre os problemas de educação no Brasil devem ocorrer habitualmente nos cabeleireiros, nas mesas de bar, nas igrejas, na mídia, nos debates políticos (em especial, nas campanhas eleitorais), ..., isto é, sempre e em todos os lugares.
Sim, até mesmo porque a educação deve ser a primeira prioridade na gestão pública nos níveis federal, estadual e municipal e, sobretudo, na visão de todos os cidadãos que aspiram por um País melhor e com igualdade de oportunidade para todos.
Que haja incentivo e estímulo para discussões e debates, amplos e irrestritos.
Um leitor considerou minha “opinião muito boa, mas a seu ver esbarra na vontade dos alunos...”. segundo ele, para que os alunos aprendam é necessário o “fim da aprovação automática” e é preciso “fazer com que o professor seja autoridade para ter a classe em suas mãos”.
Repliquei de forma cuidadosa, porém, com ênfase para o que considero essencial.
Concordo com "o fim da aprovação automática" e, também, "fazer com que o professor seja autoridade" — realmente são observações relevantes. Discordo da afirmação de que "a meu ver esbarra...".
Enfatizo que mencionei "mobilização subjetiva, psicológica e até mesmo espiritual, se possível" — aí está a base para a prevalência da autoridade do professor.
O espaço não comporta todas as propostas que gostaria de fazer.
Passei uma década em sala de aula, no ensino médio e superior; tentei ser exigente e não renunciava ao que considerava essencial. Tive a ventura de ter respeito e admiração de meus estimados alunos. O importante é debater, discutir, levantar os problemas e buscar soluções objetivas, eficazes e universais. Cumprimento-o pela mensagem correta e formulada em termos elevados.
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