Em relação aos artigos publicados no jornal The Jerusalem Post (“A Inteligência Artificial, a humanidade e uma oportunidade divina de iluminar o caminho”) e na revista The Economist (“Robótica na China”), que traduzi e enviei para um amigo, há considerações relevantes que transcrevo neste blog. Deixo de citar o nome do destinatário porque as mensagens foram enviadas por intermédio do WhatsApp particular.
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Prezado amigo...,
É preciso lembrar que os chineses riem muito, mas não brincam. No século passado, quando ainda eram fracos, eles passaram a perna em americanos e soviéticos.
O pai dos programas de desenvolvimento espacial e de mísseis de longo alcance chineses fez doutorado nos Estados Unidos, e foi um dos cientistas fundadores do primeiro laboratório de jato propulsão do mundo (o Jet Propulsion Laboratory, JPL, dos EUA) e se tornou coronel do Exército americano, com o objetivo de interrogar cientistas alemães no final da Segunda Guerra Mundial. Esse cientista foi apanhado passando segredos para a China, perdeu o posto de coronel, foi preso e, em meados da década de 1950, retornou para sua pátria, na troca de prisioneiros de guerra, após a Guerra com a Coreia. Graças a esse cientista, os chineses têm algumas centenas de mísseis intercontinentais apontados para os Estados Unidos.
Após a vitória da revolução, em 1949, os chineses fizeram acordo nuclear com os soviéticos. Mao Tse Tung solicitou uma bomba atômica para Stalin, com o objetivo de explodir, captar dados e acelerar seu processo de pesquisa & pesenvolvimento nuclear. Por volta de 1956, em visita a Pequim, Kruschev negou a promessa de fornecimento da bomba e os chineses riram. Eles tinham montado um programa de desenvolvimento nuclear paralelo e secreto — que utilizava conhecimento do programa conjunto —, cujas atividades permitiram que a China explodisse, em 1964, a bomba atômica de fissão (de plutônio ou urânio) e três anos após, a bomba atônica de fusão (de hidrogênio). Deve ser ressaltado que, dentre os cinco países que possuem os dois tipos de bomba atômica, a China foi — de forma assustadora e surpreendente — o que levou menos tempo para, a partir da explosão da bomba de plutônio, conquistar o objetivo da explosão da poderosa bomba de hidrogênio.
Desafortunadamente, tem brasileiro permitindo que os chineses comprem território, infraestrutura de energia, de transporte e outras no Brasil. As próximas gerações pagarão a conta.
Fraterno abraço,
ARS
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Prezado Amigo...,
Feliz Dia do Soldado!
Que no dia de hoje, olhemos para o passado, para entender e agir melhor no presente, bem como perscrutar o futuro, com o objetivo de transformar o sonho de um Brasil melhor para nossos filhos e netos em realidade.
Fraterno abraço.
ARS
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Prezado amigo...,
A Inteligência Artificial está na agenda da atual conjuntura de forma insuperável.
O DCT iniciou o “1º. Curso de Inteligência Artificial do Exército Brasileiro” — um procedimento apropriado, inovador e oportuno. De certa forma, no âmbito governamental, a Força Terrestre está saindo na frente.
Como regra geral, eu deixei de comparecer aos eventos de nossa Instituição. Entendo que os nossos substitutos têm possibilidade — com maior lucidez e talento — para dar prosseguimento, com mais qualificação e maior êxito, aquilo que tentamos fazer.
Como há 40 anos, fiz mestrado no campo da IA e publiquei artigos correlatos em “A Defesa Nacional” e na “Revista Militar de Ciência e Tecnologia”, resolvi quebrar a decisão e atender ao convite, comparecendo ao evento do DCT.
Fiquei surpreso, porque na palestra de abertura do “1º. Curso ...”, o Chefe do DCT, Gen Hertz, colocou uma transparência com a primeira folha de cada um dos três textos que formulei há 40 anos: a dissertação de mestrado e os dois artigos citados.
Enfim, fazendo uma volta ao artigo do professor Jeffrey Kahn, entendo que há várias possibilidades futuras, inclusive algumas, dentre elas, preocupantes.
Eu tento ficar com a proposição de que a IA vai ter grandes perspectivas otimistas e construtivas, porque ela se origina do ser humano e este se enquadra nessa abordagem positiva — é assim que encaro a evolução da humanidade.
Contudo, o ser humano tem, minoritariamente, aspectos pessimistas e não construtivos. Então, a IA vai herdar também esses aspectos.
No artigo do professor israelense, há o alerta para a oportunidade de Israel desempenhar o papel de “luz entre as nações”. Acho que devemos, modestamente, concordar, mas Israel estará ao lado — menciono, com ênfase — de países europeus, dos Estados Unidos e da China. É assim que vejo, porém sabendo que há muitas incertezas nessa senda.
Talvez seja o caso de refletir um pouco sobre o artigo “Robótica na China”. Por quê? É muito preocupante a associação brasileira, em nível de governo, com a China.
Há cerca de 2000 anos, os chineses tentam a prevalência no mundo. Eles nunca desistem. Além disso, as negociações e interações com eles são muito difíceis — eles nunca renunciam a seus interesses; percebi isso quando fui à China, fazendo turismo em 2000; e a trabalho, pelo Ministério da Defesa, com outro general, dois almirantes e dois brigadeiros. Eles têm calma, paciência e encaram tudo na perspectiva de longo prazo — e eu ressalto, tudo o que sobra para eles, falta para as nossas lideranças políticas.
A propósito, quando terminei a graduação no IME, poderia escolher Porto Alegre, Itajubá ou Manaus. Para surpresa e alívio dos colegas, escolhi Manaus.
Então, servi 1400 dias em solo amazônico, sendo mais de 140 dias, não consecutivos, em Pelotão de Fronteira, nas bordas da Venezuela, Colômbia e Peru.
Fico preocupado — e até indignado — com chineses e outros estrangeiros comprando território amazônico.
Enfim, estou desabafando, contudo, sei que essa reação é irrelevante.
Tenho a curiosidade de saber sua visão sobre essa questão. Seu equilíbrio, vasto conhecimento e incomparável experiência são fundamentais para que eu possa melhorar o enfoque sobre essa questão crucial.
Forte e fraterno abraço
ARS
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