quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Debate sobre a conjuntura político-militar

O Ethos Militar e o Futuro da República

O Instituto Coalizão Rio organizou, na sede social do Campo Olímpico de Golfe, no dia 23/09/2026, no Rio de Janeiro, o evento “Política em Alto Nível”, com o objetivo da troca de ideias entre lideranças militares, empresariais, religiosas e políticas.

Nesse contexto foi elaborado um texto base para o ponto de partida das reflexões, sob a denominação de “O Ethos Militar e o Futuro da República”.

Tive meu nome indicado por um amigo para participação do evento. O organizador enviou-me o referido texto, acompanhado de um questionário para o lançamento de respostas com ideias sobre o tema.

Formulei as respostas e as enviei para o organizador. Incluo-as neste blog para que sirvam de referência para observação de conjunturas políticas e militares futuras. Evito a transcrição completa do documento “O Ethos Militar e o Futuro da República”, uma vez que não obtive autorização para torná-lo público. Por razão similar, evito também a citação dos nomes do amigo e do organizador do evento.


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O Ethos Militar e o Futuro da República


O presente documento serve como texto básico para a troca de ideias entre lideranças militares, empresariais, religiosas e políticas, num evento presencial na Cidade do Rio de Janeiro, no dia 23 de setembro de 2026, às 09:00 horas, na sede social do Campo Olímpico de Golfe, idealizado pelo canal do Youtube "Política em Alto Nível" e capitaneado pelo Instituto Coalizão Rio.

Trata-se de um evento fechado, com um limitado número de convites individuais, que abordará primordialmente os aspectos morais decorrentes da atual conjuntura sobre as Forças Armadas.

O objetivo final é apresentar ao novo Presidente, no caso de uma mudança de regime, algumas sugestões que permitam um redirecionamento das Forças Armadas à sua missão fim e o resgate de seu prestígio junto à sociedade.

O texto abaixo busca descrever a situação do país e de suas Forças Armadas, sob um ângulo conceitual, e tem caráter exclusivamente sugestivo, para que os participantes tenham a oportunidade de se preparar intelectualmente para o evento. Seu propósito é apresentar, de maneira organizada, um conjunto de problemas que, considerados em sua totalidade, podem configurar um processo de disfuncionalidade das Forças.

Não se pretende oferecer respostas antecipadas, prescrever soluções ou formar um consenso artificial. A confirmação desse diagnóstico, bem como, interpretações, propostas e eventuais divergências deverão surgir durante a discussão entre os participantes.


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Cenário


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1. Uma crise que ultrapassa os quartéis

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2. A perda de rumo estratégico do Estado

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16. O risco da irrelevância

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[A seguir, respostas ao questionário]


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Perguntas orientadoras do debate


I. Sobre a realidade do diagnóstico

O quadro apresentado corresponde à realidade das Forças Armadas?


O quadro apresentado corresponde à realidade das Forças Armadas de forma conceitual, cuidadosa e até mesmo elegante. Contudo, convém que seja complementado com exemplos práticos que alicercem todas as proposições.

Exemplos:

  • As falhas cometidas pelos militares oriundos das Forças Especiais no apoio ao presidente da República em 2022, que resultaram na prisão do próprio ex-presidente e dos militares FE. A expectativa em relação à atuação de militares FE é muito elevada e otimista. Houve falha individual e pessoal ou falha de formação?
  • As falhas dos militares Oficiais-Generais no assessoramento do presidente da República em 2022 e as respectivas divisões de posicionamentos são de origem pessoal e individual ou são causadas por insuficiências da constituição dos Altos Comandos?
  • Como explicar e esclarecer as omissões em relação à condenação e prisão de quatro Oficiais-Generais e as falhas nos respectivos processos de julgamento?
  • A aparente e suposta indiferença dos Altos Comandantes militares em relação à descrença dos cidadãos nas Forças Armadas, resultante de fatos, experiências e outros aspectos que a motivaram.

II. Sobre identidade, moral e "ethos" militar

A recuperação das Forças Armadas exige uma mudança de atitude moral?


A recuperação das Forças Armadas exige que os altos escalões militares ajam rigorosamente de acordo com os preceitos constitucionais e, se for o caso, pleiteiem que os três poderes da República também ajam de acordo com os mencionados preceitos constitucionais. Nesse contexto, há a imperiosa necessidade de que os integrantes dos altos escalões militares ajam com coragem, iniciativa e ética; e, se necessário, intervenham junto aos poderes da República com exigência do cumprimento dos preceitos da Carta Magna.

É preciso que todos os militares tenham o conhecimento e a certeza de que os altos escalões militares não se omitirão nas ações requeridas para tornar essas proposições verazes.

Ademais, não se justifica que os militares brasileiros (sobretudo os integrantes dos altos escalões) pensem e ajam de acordo com os pensamentos e ações de militares dos países do Primeiro Mundo, diante de uma realidade social, econômica e política de país de Enésimo Mundo.


III. Sobre missão constitucional e papel institucional

Como preservar o apartidarismo sem transformar as Forças Armadas em

instituições intelectualmente indiferentes à vida política nacional?


Avaliar se algum dentre os três Poderes da República (Executivo, Legislativo e Judiciário) está atuando fora dos preceitos da Carta Magna e se a devida correção a ser feita — de acordo com os preceitos constitucionais — não tiver sido adotada. 

Nesse caso, as Forças Armadas devem convocar o presidente do poder que deixou de atuar e estimulá-lo a atuar sob pena de ocorrência de intervenção militar.


IV. Sobre capacidade operacional

O que deve ser feito prioritariamente para que as Forças Armadas possuam

condições reais de defender o território contra uma ameaça externa relevante?


Identificar de forma inquestionável as ameaças externas relevantes; formular a capacitação para o enfrentamento de cada ameaça; e apresentar para o governo e para a sociedade as necessidades requeridas para o cumprimento da missão.


V. Sobre criminalidade organizada e soberania interna

Qual deve ser o limite da participação das Forças Armadas no enfrentamento de

ameaças internas?


O limite depende dos seguintes aspectos:

  • Prescrições legais, com ênfase para Constituição;
  • Ocorrência de fatos graves, tais como: ocupação de território, substituição do poder público na prestação de serviços, impedimento da ação das polícias estaduais (e, se for o caso, municipais).

Em qualquer circunstância, a participação das Forças Armadas deve ter o objetivo de fazer prevalecer a orientação do Estado, sob a orientação do chefe de governo e jamais permitindo que organizações criminosas tenham prevalência em qualquer tempo e em qualquer local da Federação.


VI. Sobre liderança e confiança

A seleção dos altos comandos valoriza caráter e capacidade de liderança ou

privilegia antiguidade, conveniência e adaptação política?


A seleção dos altos comandos deve, primordialmente, valorizar: ilibada conduta, caráter, capacidade de liderança, conhecimento, experiência profissional e antiguidade, na ordem de prioridade desta citação. Conveniência e adaptação política podem ser consideradas, depois de superadas todos os aspectos primordiais citados.


VII. Sobre a relação com a sociedade

O isolamento social e intelectual dos militares compromete sua legitimidade?


Ressalvado o respeito às normas legais, não deve haver isolamento social e intelectual dos militares na relação com a sociedade. A existência dos militares e das Forças Armadas se justifica para o atendimento às necessidades do povo. Os cidadãos precisam saber e conhecer aqueles que os protegem; e os militares precisam saber e conhecer as necessidades daqueles a quem devem proteger. Não deve haver isolamento por razões objetivas, práticas; nem por razões subjetivas, pois estas facilitam as interações, a compreensão e o êxito no cumprimento das missões.


VIII. Sobre ideologia, cultura e pensamento estratégico

Como as instituições militares poderiam recuperar sua capacidade de formar

pensadores capazes de interpretar os grandes desafios nacionais e contribuir de maneira

relevante para o debate

público?


As seguintes medidas são relevantes:

  • Estímulo e fomento à arte de escrever e publicar os textos formulados — na mídia em geral, em revistas especializadas e em livros;
  • Potencialização de contatos e interações com o meio acadêmico brasileiro — é crucial ter nas universidades, especialistas civis em questões militares; e, também, acadêmicos que respeitam e admiram os pensadores militares;
  • Premiação dos militares autores de artigos e livros sobre ideologia, cultura e pensamento estratégico; e
  • Estabelecimento de missões no exterior, com o objetivo de busca de conhecimento e experiência atinentes à cultura e pensamento estratégico — enfatize-se que a riqueza da Internet não substitui integralmente os contatos e as interações pessoais.

IX. Sobre os futuros comandantes e o ministro da Defesa

Qual é a importância das lideranças militares em um eventual processo de reconstrução institucional?


O processo de reconstrução institucional deve levar em conta o posicionamento das Forças Armadas em caso de crise. Então, as lideranças militares devem participar do processo, especialmente, porque a atual conjuntura mostra que a ausência e a indiferença das lideranças militares apontam para a indigência do processo em curso, seja durante a crise, seja durante o processo de reconstrução institucional.


Que atributos morais, intelectuais e profissionais devem ser exigidos dos futuros comandantes militares?


Aqueles exigidos para que os oficiais possam chegar aos Altos Comandos, isto é, ilibada conduta, caráter, capacidade de liderança, conhecimento, experiência profissional e antiguidade, na ordem de prioridade desta citação.


Os comandantes militares devem mandatoriamente estar em serviço ativo ou podem ser recrutados entre as lideranças na reserva?


Em face dos impactos na transitoriedade da carreira, os comandantes devem ser recrutados no universo daqueles que se encontram no serviço ativo.


O ministro da Defesa deve ser civil, militar, ou isso não faz diferença?


Em democracias consolidadas o ministro da Defesa pode ser civil ou militar. Na democracia brasileira, que ainda se encontra em processo de consolidação, é preferível que o ministro da Defesa seja militar do serviço ativo ou da reserva.


Quais conhecimentos e experiências são indispensáveis ao exercício dessa função?


Os conhecimentos e experiências típicos de integrantes dos Altos Comandos das Forças Armadas (Marinha, Exército e Aeronáutica) que, naturalmente, incluem conhecimentos políticos, estratégicos, em âmbito local e em âmbito global.


O ministro deve atuar como representante político do governo perante as Forças ou como coordenador estratégico da defesa nacional?


O ministro da Defesa deve atuar como representante militar perante o governo, como representante político do governo perante as Forças Armadas e, também, como coordenador estratégico da defesa nacional, mercê da orientação do Comandante em Chefe das Forças Armadas, que é o presidente da República. Devendo ser ressaltado que o ministro da Defesa deve agir como integrante do Estado brasileiro e, nas questões de Defesa, deve assessorar o governo subordinado aos interesses do Estado, com prevalência desses interesses sobre os interesses do partido que, eventual e transitoriamente, exerce o Poder.


Gen Div Ref Aléssio RIBEIRO SOUTO

Brasília, 23/09/2026


 

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