sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Rememorando a Pérsia moderna

"O lavrador perspicaz conhece o caminho do arado."
Homenagem a Oscar Barbosa Souto
Antigo lavrador, garimpeiro, comerciante, tabelião e juiz de paz.
In Memoriam.

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VER TAMBÉM

Conflito EUA-Israel versus Irã

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Conforme tem ocorrido nos últimos 15 anos, na última sexta-feira de cada mês, os integrantes da turma Marechal Mascarenhas de Morais, formados na AMAN em 1972, e radicados em Brasília — os Veteranos do Cerrado — se reúnem no restaurante do Clube do Exército, do Setor Militar Urbano. É um evento único, em que entes humanos que se consideram irmãos por escolha — e, também, irmãos na crença de valores da juventude — relembram causos antigos, relatam causos novos e vivenciam experiências de toda ordem, sob a égide de companheirismo, lhaneza no trato, gentileza e bom humor.

Hoje, 27 de fevereiro, última sexta-feira deste mês, no momento de chegada ao clube, eu e mais dois companheiros ficamos conversando durante alguns minutos no hall da portaria. Então, um casal que estava saindo do local parou ao nosso lado. O caboclo de barba branca perguntou se eu não me lembrava dele. Diante de minha indecisão, ele declarou que era Emanuel; acrescentou que fora meu adjunto na missão de Adido de Defesa junto à embaixada do Brasil em Teerã; e ressaltou que permaneceu na função de adjunto no meu primeiro ano de missão, uma vez que chegara na capital iraniana um ano antes de mim. Abraçamo-nos efusivamente e, em seguida, ele me apresentou sua segunda esposa, Maria Célia, uma vez que ficara viúvo depois do retorno ao Brasil, com o falecimento da primeira esposa, Mari.

Foi um encontro inusitado e magnífico. Afinal de contas, já se passavam cerca de 20 anos de nosso último contato pessoal. Relembrei que ao chegar a Teerã, tanto ele quanto a prestativa Mari, me ajudaram muito nas tarefas profissionais, mas, especialmente, naquelas que diziam respeito à adaptação a uma cultura totalmente diferente da nossa. Não sei se declarei — caso contrário deveria ter declarado —, que encontrá-lo depois de tanto tempo impunha o viés de me valer de memórias do passado para impulsionar sonhos do futuro.

Emanuel indagou como estavam minha esposa Isabel e os sogros Maria Helena e Cláudio Luiz. Relatei a situação atual deles.

Então, perguntei por sua filha, Joicy. Sua resposta foi surpreendente e admirável! Como líder religioso evangélico, ele mencionou, com ênfase, que a trajetória da filha estava associada à proteção divina.

Ele disse que Joicy estava fazendo graduação em Química na Universidade de Brasília (UnB) e contraiu uma variante extremamente agressiva de câncer. A gravidade da doença levou a equipe médica a informar que não havia cura e que a família se preparasse para o inevitável passamento da paciente. Depois de uns seis meses, Joicy se curou do câncer. Em seguida, a equipe médica informou que, em consequência do impacto do tratamento, ela não poderia ter filhos.

Joicy retomou o curso de Química, graduou-se nessa especialidade e ingressou na pós-graduação. Concluiu mestrado e depois doutorado. Ela se casou com um colega de doutorado. Eles fizeram concurso para ingresso, como professores, na Universidade Federal da Bahia (UFBa). Ele passou em primeiro lugar e ela foi a segunda classificada. O casal se mudou para Salvador e até agora são professores da UFBa. Ademais, eles tiveram a suprema ventura de se tornarem pais de quatro filhos.

Enfim, conforme Shakespeare (em Hamlet, Ato 1, Cena 5), "entre o céu e a terra, há mais mistérios do que nossa vã filosofia imagina"

Por último, acrescento com ênfase, que alegria e enternecimento marcaram a arte do encontro com  Emanuel e Maria Célia. Despedimo-nos com a promessa de que nos comunicaríamos com a frequência adequada para quem vivenciou a épica aventura de andar pela Pérsia moderna, onde transitaram, na antiguidade, Ciro, Alexandre e outros notáveis da história.


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Maria Célia T.. Eloy e Emanuel Waldir Trindade dos Santos
Entrada do Clube do Exército – Setor Militar Urbano – Brasília – 27/02/2026 

Aléssio Ribeiro Souto, Maria Célia T.. Eloy e Emanuel  Waldir Trindade dos Santos
Entrada do Clube do Exército – Setor Militar Urbano – Brasília – 27/02/2026.

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03/03/2026

Conflito EUA-Israel versus Irã


É incrível! É extraordinário! É fantástico!

Eu redigi o texto “Rememorando a Pérsia moderna” no dia 27 de fevereiro, sexta-feira. Nesse sentido, mencionei minha passagem, ao lado do então tenente Emanuel, no Irã (a que atribuo o nome de Pérsia moderna) — eu, na condição de Adido de Defesa, junto à embaixada do Brasil em Teerã, capital daquele País; e o Emanuel como o respectivo Adjunto do Adido.

Pois bem, no dia seguinte — na madrugada de 28 de fevereiro, sábado —, os Estados Unidos e Israel desencadearam a “Operação Fúria Épica”, um ataque aéreo ao Irã, envolvendo pelo menos sete cidades daquele país. 

Os objetivos anunciados para essa operação incluem a destruição do projeto de obtenção da bomba atômica; a destruição da capacidade de desenvolvimento e produção de mísseis balísticos e de drones; e a possível derrubada do regime islâmico vigente no Irã. 

Enfim, trata-se de pôr fim à ameaça propalada pelo Irã contra Israel e contra as instalações americanas nos países do Oriente Médio (embaixadas e organizações militares americanas em Israel, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Oman, Bahrein, Kuwait, Catar e Iraque).

A Força Aérea de Israel ficou encarregada, entre outras, da operação contra Teerã; e, nas sortidas aéreas, foram destruídas as instalações governamentais onde estava sendo realizada uma reunião entre o Supremo Líder, aiatolá Ali Khamenei e os mais elevados próceres militares. Foram mortas as seguintes autoridades:

– o aiatolá Ali Khamenei, bem como sua esposa, genro, neto e outros familiares; 

– o general Aziz Nasirzadeh, ministro da Defesa; 

– o brigadeiro-general Mohammadd Pakpour, comandante da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC – Islamic Revolucionary Guard Corps) — a principal força militar do país, com poderes maiores do que aqueles das Forças Armadas regulares; 

– o general Ali Shamkhani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional e ex-subcomandante do IRGC; 

– o general Abdolrahim Mousavi, chefe do Estado-Maior de Defesa e principal autoridade das Forças Armadas regulares;

– o general Esmaeil Qaani, comandantes da Força Quds — encarregada de ações militares externas, com ênfase para o apoio dos proxies do Irã (Hamas na Faixa de Gaza, Hezbollah na Síria, Houthis no Iêmen, milícias no Iraque e outros);

– o brigadeiro-general Ayyid Hossein Mousavi Efterkhari, comandante da Força Aeroespacial; 

– o general Hohammad Karami, comandante da Força Terrestre; 

– o general Alireza Tangsiri, comandante da Força Naval; 

– o general Gholamreza Soleimani, líder da milícia Basij; e 

– outras autoridades militares e políticas.

A despeito da perda das maiores autoridades de defesa, o Irã reagiu e desencadeou ações militares, com mísseis e drones, contra Israel e contra os países árabes já citados, que abrigam organizações militares dos Estados Unidos; bem como fechou o Estreito de Ormuz para a navegação e transporte de petróleo.

Passados os quatro primeiros dias das operações, cabe uma série de questionamentos!

Até quando vai durar o conflito em curso? 

Quais as consequências para a economia mundial? 

Quais as consequências para o Brasil, que se encontra a mercê de um governo corrupto, incompetente e desastrado?

Quais as consequências para cada cidadão que aspira a um mundo melhor para si e para a respectiva família?

Dentro de aproximadamente seis meses, as respostas poderão ser mencionadas. Que vivamos e que — contrariamente ao previsível — possamos renovar as esperanças e perspectivas de um mundo melhor.

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17/03/2026

Prosseguimento do conflito EUA-Israel versus Irã


Passadas 2 semanas do início do ataque dos EUA-Israel versus Irã, o conflito continua com tendência de aumento da intensidade, devendo ser ressaltadas as perdas humanas: os Estados Unidos perderam treze militares; Israel teve 12 pessoas mortas por ataque de mísseis e drones, sendo a maioria civis; e o Irã deve ter perdido acima de 1.300 pessoas, sendo a metade constituída de militares.

Foi divulgado pela mídia mundial que o religioso Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá Ali Khamenei assumiu o cargo de Supremo Líder do Irã, em substituição a seu pai, que foi morto no primeiro dia do conflito.

De ontem para hoje, 17 de março, Israel teve sucesso no assassinato do chefe da Segurança Nacional iraniana, Ali Larijani, uma das figuras mais poderosas e influentes do regime, e apontado por muitos como líder de facto do governo. Além dele, foi morto também o comandante da força paramilitar Basij, Gholamreza Soleimani.

Uma fonte americana, do Comando Central dos EUA (Centcom) afirmou que nas últimas duas semanas o Irã lançou mais de 300 ataques contra Omã, Arábia Saudita, Israel, Jordânia, Chipre, Turquia, Azerbaijão, Emirados Árabes Unidos, Catar, Iraque, Kuwait e Bahrein.

O Irã obstruiu o estreito de Ormuz por onde circulam 20% da produção petrolífera do Oriente Médio, ocasionando uma alta expressiva do preço do petróleo — chegou a US$ 110,00.

Enfim, dúvidas há sobre o possível término das operações.

Questionamentos são levantados também sobre a concretização dos objetivos políticos dos Estados Unidos e de Israel, isto é: eliminação do projeto nuclear iraniano; reforma política do Irã; e reconfiguração interna do Irã com a redução da autonomia estratégica do regime, com alinhamento aos interesses dos EUA.

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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Perspectivas da eleição presidencial

A divulgação de resultados de pesquisas eleitorais tem mostrado uma evolução progressiva e inesperada da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República.

De um lado, constata-se o aumento progressivo do percentual de cidadãos que poderão escolher Flávio no pleito de outubro deste ano de 2026; de outro lado, constata-se que a rejeição ao nome dele está caindo à medida que o tempo passa.

Então, a possibilidade de um candidato alternativo, no que tem sido chamado de terceira via, tem diminuído consideravelmente.

A questão essencial é que não importa muito a qualificação do candidato oposicionista — algo que, na normalidade, jamais deveria ser cogitado —, o que importa mesmo é a certeza de que a grei petista vai ser expurgada da condução indigente de nosso grandioso País.

É fundamental indagar o papel do sistema eleitoral baseado em urna eletrônica.


Não pode haver esquecimento: dentre 42 países que utilizam sistema eleitoral com urna eletrônica no mundo, apenas 3, Butão, Bangladesh e Brasil, não adotam o voto impresso. 

Sem essa transparência e cumprimento da Carta Magna — que determina correção, clareza e objetividade na apuração — fica difícil vencer os patronos da corrupção, da mentira e da aversão à liberdade, verdade e ética. 

No dia do pleito, cada cidadão deve ser um fiscal do processo de tal sorte a impedir a tentativa de fraude, natural no âmbito da criminalidade. 

Tentar sempre, desistir jamais, vencer com nobreza e virtude.


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Arquivamento de processo de genocídio

Em relação à ação movida contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, relativa à acusação de genocídio por ocasião da pandemia do coronavírus, o Ministério Público Federal (MPF) determinou o arquivamento do processo.

Foi feita justiça, uma vez que a acusação não encontra respaldo nos dados referentes à quantidade de mortos por Covid no Brasil, bem como nos dados referentes à vacinação da população brasileira. Há dados incontestes que comprovam essa assertiva.


No que concerne à pandemia do coronavírus, é fulcral considerar os dados de vítimas e de vacinação apresentados a seguir, relativos a 16 de abril de 2021. Os países ou conjuntos de países foram escolhidos pela relevância e pela similaridade da ordem de grandeza populacional com o Brasil.

De acordo com matéria divulgada pelo jornal americano New York Times e também pelo jornal britânico The Guardian, a pandemia do coronavírus causou as seguintes vítimas:

    • Estados Unidos: 565,7 mil mortos em uma população de 328 milhões de habitantes — 1.724,7 mortos/milhão de hab.;
    • soma de Alemanha, França e Reino Unido: 307,5 mil mortos em 217,2 milhões de habitantes — 1.415,7 mortos/milhão hab.;
    • soma de México, Colômbia e Argentina: 338,2 mil mortos em 222,5 milhões de habitantes — 1.520,0 mortos/milhão hab.; e
    • Brasil: 328,3 mil mortos em 212 milhões de habitantes — 1.548,6 mortos/milhão hab.

Portanto, o Brasil tem uma quantidade de mortos por Covid semelhante aos 4 países mais desenvolvidos do mundo, bem como semelhante aos 3 países hispano-americanos mais relevantes da América Latina. 

E por mais paradoxal que seja, o Brasil tem 58% de mortos por Covid em relação aos falecidos nos Estados Unidos, o país mais desenvolvido da terra.

Na questão da vacinação, ainda segundo as mesmas fontes, a estatística é a seguinte:

    • a soma da Alemanha, França e Itália: 52,1 milhões de vacinados em 209,9 milhões de habitantes;
    • a soma de México, Colômbia e Argentina: 22,8 milhões de vacinados em 222,5 milhões de habitantes; e
    • Brasil: 32,8 milhões de vacinados em 212 milhões de habitantes.


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Prioridade para Educação

"O lavrador perspicaz conhece o caminho do arado."
Homenagem a Oscar Barbosa Souto
Antigo lavrador, garimpeiro, comerciante, tabelião e juiz de paz.
In Memoriam.

O estudante Bernardo Manfredini, de 12 anos, foi aprovado no curso de Matemática da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Ele já conquistou 80 medalhas em competições acadêmicas e declarou que, no futuro, pretende estudar Engenharia no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) ou no Instituto Militar de Engenharia (IME).

Um leitor do jornal Estadão postou comentário afirmando que o IME e o ITA não são as melhores faculdades de engenharia do Brasil.

 

Será? Quando chefiei o Centro Tecnológico do Exército (CTEx), tive a ventura de interagir com o engenheiro Maurício Moutinho Silva, graduado no IME, que, ao fazer mestrado na Universidade de Cranfield, na Inglaterra, com centenas de mestrandos de vários países, ganhou os quatro prêmios conferidos a concludentes do curso (a primeira vez que isso ocorrera na história dessa universidade) e, adicionalmente, ganhou um doutorado no valor de 90.000 libras. Em seu retorno ao Brasil, tornou-se, no CTEx, gerente do projeto de pesquisa e produção bem-sucedida do simulador SHEFE, um sistema para treinamento de piloto de helicóptero — um feito jamais realizado no hemisfério sul, com recursos humanos e financeiros locais. Enfatize-se que até hoje, esse simulador se encontra em utilização na formação dos pilotos de helicóptero do Exército.

Interagi também com o engenheiro Luís Depine de Castro, também formado no IME, que gerenciou, no CTEx, o projeto de pesquisa e a respectiva obtenção de fibra carbono a partir de rejeitos de petróleo — devendo ser ressaltado que apenas três ou quatro países do mundo lograram esse tipo de conquista. Após participar na China de seminário de pesquisa de fibra Carbono, o engenheiro Depine organizou um evento similar no Brasil, o que jamais ocorrera na história científico-tecnológica de país em desenvolvimento.

Afora o simulador SHEFE e o projeto de fibra Carbono, posso citar pelo menos mais cinco artefatos bélicos (alguns de uso dual, isto é, civil e militar) que foram pesquisados e produzidos no CTEx, em parceria com indústrias privadas, sob a gestão de engenheiros formados no IME; e que jamais foram pesquisados, desenvolvidos e produzidos no hemisfério sul. São eles: 

– o radar SABER M-60 — componente de sistema de defesa antiaérea;

– o sistema REMAX — plataforma da metralhadora .50 para veículos blindados sobre rodas;

– o sistema MTO — Módulo de Telemática Operacional;

– o sistema C2 de Combate — sistema para Comando e Controle automatizado, para brigada; e 

– o sistema MAGE — destinada a operações de Guerra Eletrônica.

Então segue minha réplica ao desafortunado leitor que formulou juízo de valor sobre a classificação do IME e ITA, relativa à formação de engenheiros no Brasil.


Em Engenharia, o IME e o ITA estão disparados à frente de todas as demais faculdades de Engenharia do País, e se alinham entre as boas faculdades de Engenharia do mundo. Quem cursou o IME e o ITA e já esteve em escolas similares nos Estados Unidos, na Rússia e na China sabem que é verdade.

Que o garoto Bernardo Manfredini cumpra sua vontade e sua promessa de ingressar no IME ou no ITA. E que os gestores em Educação e os políticos se espelhem no IME e no ITA para dar prioridade absoluta para Educação no País e proporcionar a todos os jovens igualdade de oportunidade.


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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Nota da Desqualificação


O deputado Rogério Correia divulgou na plataforma X uma foto falsificada, apresentando Roberto Campos Neto e Jair Bolsonaro ao lado de Daniel Vorcaro (acusado no escândalo de corrupção do banco Master).

O assunto foi submetido à Justiça e a decisão foi a determinação para a retirada da foto da plataforma, bem como a divulgação de uma Nota de Esclarecimento, em que o parlamentar declarava sua atitude ultrajante. 


A nota publicada pelo parlamentar deveria ter um dos seguintes nomes: Nota da Vergonha, Nota da Mentira ou Nota da Desqualificação. 

Adicionalmente, a Nota de Esclarecimento deveria ser:

“Com frequência, cumpro o mandamento de Lênin: ‘Mentir, falsificar a verdade, ...’ ”. Simples assim!


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Visita à Coreia do Norte

"O lavrador perspicaz conhece o caminho do arado."
Homenagem a Oscar Barbosa Souto
Antigo lavrador, garimpeiro, comerciante, tabelião e juiz de paz.
In Memoriam.

O extravagante americano Dennis Rodman — ex-estrela da NBA [*], como jogador de basquete profissional — já visitou a Coreia do Norte cinco vezes e interagiu intensamente com seu suposto amigo Kim Jong-Un, ditador naquele país há mais de 14 anos. 

Por certo, o polêmico bocó americano Rodman pouco se importa com o que o nefasto ditador Jong-Un apronta contra os cidadãos daquela nação asiática.

Nenhuma pessoa de boa fé precisa visitar a Coreia do Norte para ilustrar-se sobre a realidade da mais hedionda ditadura ainda existente no mundo. Basta ler o que relatou a ilustre visitante Erika Fatland, que não se dirigiu àquele país por diletantismo, mas para dar prosseguimento ao livro “A FRONTEIRA”, que apresenta a visão de todos os países e respectivos povos vizinhos, sobre a Rússia e seu enorme território.

Ressalte-se que o ex-atleta Rodman era talentoso e qualificado com as mãos ao arremessar a bola para a cesta de basquetebol — afinal, ele foi cinco vezes campeão da NBA. Contudo, no atinente às artes de ler e pensar, ele sempre se caracterizou como um abestado completamente desconectado do bom senso, da razão e da lógica.

Nesse contexto, é imperioso conhecer, ipsis litteris, a descrição da escritora Fatland, relativa a alguns aspectos essenciais da Coreia do Norte. Eles são apresentados a seguir.


[i] O regime e as pessoas

     “Pyongyang é a face externa do país, e o acesso à cidade é estritamente regulamentado. Embora o igualitarismo seja a pedra de toque do comunismo, as autoridades norte-coreanas nunca se preocuparam tanto assim com a igualdade. Ao contrário. No final da década de 1950, Kim Il-sung instituiu o songbun, uma engenhosa hierarquia que preconiza uma espécie de sistema de castas e divide a população inteira do país em três categorias principais: pertencem ao «núcleo», ou classe leal, aqueles que o apoiaram ativamente nos anos de libertação, participaram da luta contra os imperialistas japoneses ou se destacaram durante a Guerra da Coreia; os «oscilantes», a maioria da população, precisam ser vigiados de perto; e, por fim, há os «inimigos». Essas três categorias principais foram então divididas em mais de cinquenta subcategorias. […..] Pyongyang, por exemplo, é uma cidade reservada principalmente para pessoas do «núcleo», mas também para alguns «oscilantes», todos empregados a serviço do «núcleo»." 

     {A FRONTEIRA, Erika Fatland – A arte de se curvar sem sucumbir – Pág. 77}


[ii] O ambiente humano

       "Em nossos passeios por Pyongyang, chegamos tão perto dos habitantes da cidade que poderíamos estender a mão e tocá-los. De vez em quando, jovens sorridentes acenavam para nós das janelas dos ônibus, mas em geral éramos observados apenas por um discreto movimento de olhos em nossa direção. O que aquelas pessoas pensavam sobre seu país, sobre seus líderes? 0 que realmente conheciam do mundo exterior? Nunca estive num lugar tão difícil de penetrar além da superfície. Caminhávamos pela mesma cidade que eles, percorrendo as mesmas ruas, respirando o mesmo ar poluído, mas era como se estivéssemos visitando um zoológico."

     {A FRONTEIRA, Erika Fatland – A arte de se curvar sem sucumbir – Pág. 78}


[iii] A visita …

     “Pela primeira vez na viagem, eu estava perto de pessoas comuns. Alguns me encaravam, mas a maioria olhava para o chão. Os outros turistas do grupo estavam a certa distância e, por um momento, fingi estar sozinha.

É até possível visitar a Coreia do Norte na chamada excursão individual, mas mesmo aqueles que se propõem a viajar sozinhos são escoltados por dois guias da manhã à noite e estão sujeitos aproximadamente ao mesmo regime diário que os demais turistas.

     {A FRONTEIRA, Erika Fatland – A arte de se curvar sem sucumbir – Pág. 79}


[iv] A corrupção e a catástrofe humana

     "A Coreia do Norte não é apenas o regime mais autoritário do mundo, é também o mais corrupto: nos últimos vinte anos, o país está na lanterna do ranking de corrupção da Transparência Internacional, e há décadas é governado de acordo com princípios puramente socialistas, se é que algum dia os houve. […..] Em 1994, quando morreu o déspota Kim Il-Sung, o regime já não dava conta de alimentar a população. Tampouco conseguiu impedir a catástrofe. Segundo as autoridades norte-coreanas, a epidemia de fome ceifou 220 mil vidas humanas, um número absurdo, mas pesquisadores estrangeiros afirmam que as cifras reais seriam ainda mais altas; é possível que 3 milhões de norte-coreanos tenham morrido de inanição.”

     {A FRONTEIRA, Erika Fatland – A arte de se curvar sem sucumbir – Pág. 81}


Então, à guisa de conclusão, urge destacar que o interesse pela Coreia do Norte se justifica para aqueles que gostam e defendem o socialismo, seja ele o ‘socialismo real’ (comunismo) ou o ‘nacional-socialismo’ (nazismo), bem como os ensinamentos do comunista Lênin ou do nazista Goebels, uma vez que ambos subordinavam a vontade e a ação humanas à mentira, falsidade e despotismo — pragas apreciadas por quem despreza a liberdade, verdade e ética.


Para os demais cidadãos, basta dar uma olhada na obra-prima A FRONTEIRA, da escritora Erika Fatland, para satisfazer os desígnios da curiosidade — essa faculdade humana virtuosa e portadora de futuro. 


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[*] NBA – National Basketball Association, dos Estados Unidos.



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