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| "O lavrador perspicaz conhece o caminho do arado." Homenagem a Oscar Barbosa Souto Antigo lavrador, garimpeiro, comerciante, tabelião e juiz de paz. In Memoriam. |
O extravagante americano Dennis Rodman — ex-estrela da NBA [*], como jogador de basquete profissional — já visitou a Coreia do Norte cinco vezes e interagiu intensamente com seu suposto amigo Kim Jong-Un, ditador naquele país há mais de 14 anos.
Jong-Un sucedeu o pai, Kim Jong-Il, que foi déspota durante 17 anos.
Jong-Il, por seu turno, sucedeu o pai, Kim Jong-Sung, também déspota, ao longo de 45 anos.
Por certo, o polêmico bocó americano Rodman pouco se importa com o que o nefasto ditador Jong-Un apronta contra os cidadãos daquela nação asiática.
Nenhuma pessoa de boa fé precisa visitar a Coreia do Norte para ilustrar-se sobre a realidade da mais hedionda ditadura ainda existente no mundo. Basta ler o que relatou a ilustre visitante Erika Fatland, que não se dirigiu àquele país por diletantismo, mas para dar prosseguimento ao livro “A FRONTEIRA”, que apresenta a visão de todos os países e respectivos povos vizinhos, sobre a Rússia e seu enorme território.
Ressalte-se que o ex-atleta Rodman era talentoso e qualificado com as mãos ao arremessar a bola para a cesta de basquetebol — afinal, ele foi cinco vezes campeão da NBA. Contudo, no atinente às artes de ler e pensar, ele sempre se caracterizou como um abestado completamente desconectado do bom senso, da razão e da lógica.
Nesse contexto, é imperioso conhecer, ipsis litteris, a descrição da escritora Fatland, relativa a alguns aspectos essenciais da Coreia do Norte. Eles são apresentados a seguir.
[i] O regime e as pessoas
“Pyongyang é a face externa do país, e o acesso à cidade é estritamente regulamentado. Embora o igualitarismo seja a pedra de toque do comunismo, as autoridades norte-coreanas nunca se preocuparam tanto assim com a igualdade. Ao contrário. No final da década de 1950, Kim Il-sung instituiu o songbun, uma engenhosa hierarquia que preconiza uma espécie de sistema de castas e divide a população inteira do país em três categorias principais: pertencem ao «núcleo», ou classe leal, aqueles que o apoiaram ativamente nos anos de libertação, participaram da luta contra os imperialistas japoneses ou se destacaram durante a Guerra da Coreia; os «oscilantes», a maioria da população, precisam ser vigiados de perto; e, por fim, há os «inimigos». Essas três categorias principais foram então divididas em mais de cinquenta subcategorias. […..] Pyongyang, por exemplo, é uma cidade reservada principalmente para pessoas do «núcleo», mas também para alguns «oscilantes», todos empregados a serviço do «núcleo»."
{A FRONTEIRA, Erika Fatland – A arte de se curvar sem sucumbir – Pág. 77}
[ii] O ambiente humano
"Em nossos passeios por Pyongyang, chegamos tão perto dos habitantes da cidade que poderíamos estender a mão e tocá-los. De vez em quando, jovens sorridentes acenavam para nós das janelas dos ônibus, mas em geral éramos observados apenas por um discreto movimento de olhos em nossa direção. O que aquelas pessoas pensavam sobre seu país, sobre seus líderes? 0 que realmente conheciam do mundo exterior? Nunca estive num lugar tão difícil de penetrar além da superfície. Caminhávamos pela mesma cidade que eles, percorrendo as mesmas ruas, respirando o mesmo ar poluído, mas era como se estivéssemos visitando um zoológico."
{A FRONTEIRA, Erika Fatland – A arte de se curvar sem sucumbir – Pág. 78}
[iii] A visita …
“Pela primeira vez na viagem, eu estava perto de pessoas comuns. Alguns me encaravam, mas a maioria olhava para o chão. Os outros turistas do grupo estavam a certa distância e, por um momento, fingi estar sozinha.
É até possível visitar a Coreia do Norte na chamada excursão individual, mas mesmo aqueles que se propõem a viajar sozinhos são escoltados por dois guias da manhã à noite e estão sujeitos aproximadamente ao mesmo regime diário que os demais turistas.”
{A FRONTEIRA, Erika Fatland – A arte de se curvar sem sucumbir – Pág. 79}
[iv] A corrupção e a catástrofe humana
"A Coreia do Norte não é apenas o regime mais autoritário do mundo, é também o mais corrupto: nos últimos vinte anos, o país está na lanterna do ranking de corrupção da Transparência Internacional, e há décadas é governado de acordo com princípios puramente socialistas, se é que algum dia os houve. […..] Em 1994, quando morreu o déspota Kim Il-Sung, o regime já não dava conta de alimentar a população. Tampouco conseguiu impedir a catástrofe. Segundo as autoridades norte-coreanas, a epidemia de fome ceifou 220 mil vidas humanas, um número absurdo, mas pesquisadores estrangeiros afirmam que as cifras reais seriam ainda mais altas; é possível que 3 milhões de norte-coreanos tenham morrido de inanição.”
{A FRONTEIRA, Erika Fatland – A arte de se curvar sem sucumbir – Pág. 81}
Então, à guisa de conclusão, urge destacar que o interesse pela Coreia do Norte se justifica para aqueles que gostam e defendem o socialismo, seja ele o ‘socialismo real’ (comunismo) ou o ‘nacional-socialismo’ (nazismo), bem como os ensinamentos do comunista Lênin ou do nazista Goebels, uma vez que ambos subordinavam a vontade e a ação humanas à mentira, falsidade e despotismo — pragas apreciadas por quem despreza a liberdade, verdade e ética.
Para os demais cidadãos, basta dar uma olhada na obra-prima A FRONTEIRA, da escritora Erika Fatland, para satisfazer os desígnios da curiosidade — essa faculdade humana virtuosa e portadora de futuro.
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[*] NBA – National Basketball Association, dos Estados Unidos.
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