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| "O lavrador perspicaz conhece o caminho do arado." Homenagem a Oscar Barbosa Souto Antigo lavrador, garimpeiro, comerciante, tabelião e juiz de paz. In Memoriam. |
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Eu e minha filha Laura assistimos ao filme "O Preço do Amanhã". Normalmente, ela recusa os convites para apreciarmos juntos alguma obra da sétima arte (ela sempre aceita meus convites para assistir ou jogar futebol!). Desta feita, ela aceitou porque tinha o trabalho escolar de Sociologia. O tema deveria ser baseado em algum filme que tenha a possibilidade de mostrar a luta social contra as desigualdades.
Valeu a pena acompanhá-la? Há considerações relevantes e controversas.
O filme apresenta abordagens inéditas e revolucionárias. Os conceitos de economia e de duração da vida do ser humano foram completamente transformados. Pode-se asseverar que pode-se estabelecer similaridades entre os personagens do filme e personagens de um outro planeta dentre aqueles de outras galáxias, onde possivelmente haja vida.
A noção de moeda — base da economia — cujas origens são encontradas, há mais de 10.000 anos, entre os caçadores coletores, foi substituída pela noção de tempo. Tudo o que os protagonistas do filme precisam adquirir é valorado em tempo (segundos, minutos, horas, ..., anos) cunhado sob a parte interna do braço esquerdo. Se tenho uma necessidade, se quero algo, ofereço algum tempo para obter o que desejo.
A duração da vida adquire uma relatividade associada com o que disponho em termos de tempo. Daí, surge uma consequência auspiciosa ou traumática, esperançosa ou pessimista: quão mais rico sou, mas tempo de vida disponho. Chegando ao paroxismo, quem é rico e consegue manter o ‘patrimônio’, garante a vida eterna; quem é pobre e não tem meios para aumentar sua ‘moeda’, assegura a morte em curto prazo.
Em cima das duas transformações, é montada a trama onde se destacam: uma família milionária; os bandidos em busca da nova ‘moeda’; os agentes de segurança atuando em favor do “establishment”; e um personagem pobre mas hábil, talentoso e brilhante, que tem a possibilidade de ascender social e economicamente.
Aí entra a lamentável abordagem político-ideológica: de um lado, a injustiça resultante da existência de ricos e pobres, ou seja, pessoas em que a riqueza é sinônimo de vida longa e faustosa e a pobreza é sinônimo de vida breve e em estado de penúria; de outro, o surgimento de quem se dispõe a lutar para dar a todos uma maior possibilidade de vida, isto é, torna-se imperioso tirar de quem tem muito tempo para dar a quem tem pouco.
É curioso que o filme toca muito os jovens e, por essa razão, há uma eficaz divulgação “boca a boca” e por intermédio das redes sociais, fora dos instrumentos de comunicação social tradicionais. Nesse contexto, por intermédio de uma metáfora muito bem construída, é feita a cabeça dos jovens para contraporem-se ao capitalismo e aceitarem o socialismo.
Olhando desse ponto de vista, o filme é pernicioso. Ao invés de estimular os jovens a identificar e abraçar as virtudes do capitalismo democrático — o que é uma prevalência histórica inquestionável, dado que garante a todos a possibilidade de vida produtiva e digna — e identificar-lhes os vícios para, sanando-os, contribuir para a construção de um mundo melhor e mais justo, sobretudo com a prevalência do mérito; o filme contribui para a criação de má vontade, antipatia e mesmo ódio pelo sistema que prevaleceu ao longo da História, em detrimento dos sistemas socializantes — como o nacional-socialismo (nazismo) e o socialismo real (comunismo), caracterizadores de supressão da liberdade e de assassinatos em massa.
Em síntese, o filme é admirável pela abordagem transformadora nas noções de economia e de duração da vida humana, porém é lamentável pela metáfora associativa com o que há de pior na evolução do ser humano — a adoção do igualitarismo que se opõe à essência da condição humana, ou seja, a possibilidade e evoluir pela faculdade de pensar e pelo esforço pessoal.
Destarte, seria a intenção do professor impactar a cabeça dos alunos no sentido de criar uma simpatia pelo socialismo? Se a resposta for afirmativa, tem-se mais uma controvérsia do sistema educacional brasileiro de nível superior (e formação dos professores), com a gestão universitária baseada nas minorias ideológicas, alicerçadas nos partidos como o PT, PSol e PC do B — a escória do atraso brasileiro e mundial.
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Post Scriptum - I
Por ter esquecido o título do filme, tentei obtê-lo na Internet. Encontrei o título e uma curta matéria que ajuda a refletir sobre as inferências mostradas nos garranchos que alinhavei sobre o filme.
Post Scriptum - II
O que se espera dos professores?
Espera-se que transmitam informação, conhecimento e sobretudo que estimulem a faculdade de pensar dos alunos.
Para que os adolescentes estejam em condições de assistir ao filme e interpretá-lo satisfatoriamente, os aspectos enumerados a seguir devem ser transmitidos, principalmente, nas matérias de História e Sociologia.
i] Nos séculos IV e III a. C., Platão e Aristóteles lançaram as bases da civilização Ocidental — expressas, entre outros, nos livros Apologia de Sócrates e República, de Platão (428/348 a. C.); e Ética, Política e Retórica, de Aristóteles (384/322 a. C.).
ii] No século XVII, Thomas Hobbes formulou as bases do autoritarismo, caracterizado pelo exercício do poder absoluto e centralizado e, portanto, com restrição da liberdade — sintetizadas no livro Leviatã (1651).
iii] No século XVII, John Locke estabeleceu os fundamentos do liberalismo, alicerçado no direito à vida, à liberdade e à propriedade — consolidados no livro Dois Tratados sobre o Governo (1689).
iv] A civilização Ocidental foi materializada no liberalismo, na democracia e na liberdade, com longa evolução que resultou, no século XX, nos países desenvolvidos da Europa e da América do Norte. A democracia e a liberdade prevaleceram, para citar alguns exemplos, no Reino Unido, na França, na Alemanha (após 1945), na Suécia, nos Estados Unidos e no Canadá. Os pressupostos primaciais dos regimes democráticos é a liberdade e a concessão a todos da oportunidade de vida com dignidade.
v] O Brasil tem lutado para se inserir no processo democrático. Nos últimos 30 anos, foram dados passos nessa direção. A plenitude democrática ainda está longe de ser conquistada. As desigualdades sociais e econômicas e os lamentáveis procedimentos políticos e judiciais indicam que há um longo caminha a percorrer para o atingimento da democracia.
vi] No século XIX, Karl Marx — enleado em seus problemas familiares, em que ressaltam a morte de quatro filhos na infância, por falta de cuidados materiais; o suicídio de duas filhas adultas, Eleanor Marx e Jenny Julia Marx; e a recusa de reconhecimento do filho que teve com sua empregada — publicou, entre outros, os livros O Manifesto Comunista (1848) e O Capital (1867?).
vii] A obra de Marx deu origem às revoluções comunistas no mundo inteiro, voltadas para o socialismo real, autoritário e estatizante, com ausência de liberdade, bem como com igualitarismo inatingível (com a socialização da miséria, exceto para os dirigentes do País) e com frequentes casos de escravidão humana. O comunismo causou a morte de cerca de 100 milhões de pessoas no mundo — cerca de 60 milhões na China e 20 milhões na União Soviética (sendo aproximadamente 5 milhões mortos de fome na Ucrânia, no episódio conhecido como hediondo Holodomor).
viii] A partir da década de 1930, foi implantado na Alemanha o nacional-socialismo (ou simplesmente nazismo) — da mesma forma que o socialismo real (ou simplesmente comunismo) — apoiado no autoritarismo estatizante, supressão da liberdade e com frequentes casos de escravidão humana. O nazismo foi responsável pelo assassinato de 6 milhões de judeus e outras minorias, nos fornos de gás alemães, no nefasto episódio denominado Holocausto. Além disso, deu origem à Segunda Guerra Mundial, vencida pelos Aliados e que causou terríveis danos à humanidade.ix] É imperioso e oportuno destacar a inspiração do autoritarismo concebido por Hobbes, sobre o nacional-socialismo (nazismo) e sobre o socialismo real (comunismo). É inquestionável que ambos propugnam e praticam o poder centralizado absoluto, a supressão da liberdade (partido único, ausência de separação de poderes, imprensa única e estatal e controle sobre as atividades dos cidadãos) e o assassinato como forma de prevalência.x] Em 2003, ascendeu ao poder no Brasil o corruPTo socialismo-petismo, que no bojo dos maiores escândalos de corrupção da humanidade, ao longo de uma década e meia de desmandos, lançou o País na maior crise social, econômica e política de sua História.xi] Em 2018, numa emblemática eleição presidencial, o socialismo-petismo foi vencido e pela primeira vez na história, no âmbito da democracia, o socialismo foi afastado do poder em um grande País. Após a investidura na Presidência da República, o novo governo tem apresentado acertos e erros. Estes não serão analisados agora. É adequado e oportuno que essa análise seja feita a partir das próximas eleições presidenciais, em 2022 e 2026, respectivamente.




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