segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Indigência das pesquisas de opinião – 2

Na véspera do primeiro turno da eleição presidencial, apenas a pesquisa de opinião do instituto Gerp chegou muito próximo do resultado apurado nas urnas, com a previsão de vitória do senador Flávio Bolsonaro.

Os demais institutos — PoderData, CNT/MDA, Datafolha, Quaest e AtlasIntel — erraram e atribuíram a vitória ao presidente Lula da Silva, candidato à reeleição.

A alegação é que, a despeito da atribuição de percentuais de votos maiores para Lula, os valores dos dois oponentes caracterizavam empate dentro da margem de erro.

Ora, essa alegação é irrelevante. 


No mundo da política e no mundo das pesquisas de opinião, não há compromisso com a verdade e com a ética. Cometer erros de forma eventual é algo que está condicionado e subordinado à condição humana.

Cometer erros repetidamente e de forma coletiva, como fazem os institutos de pesquisa, é repulsivo, hediondo, inaceitável e insidioso.


Adicionalmente, acrescentei outro comentário, ainda mais contundente.


Políticos e gestores de institutos de pesquisa não têm compromisso com a verdade e com a ética. Estão condicionados por ideologia e (ou) economia e respectivos interesses pessoais. 

Isso explica as defasagens grosseiras nos resultados das pesquisas — e que se ressalte: as diferenças não são tão grandes; o que choca é o fato de a maioria estar contra a transformação do status quo. 

Para a construção de um país melhor, os cidadãos precisam estar atentos, precisam pensar e agir contra esse estado de anomia. 

Que no segundo turno comece um novo ciclo da evolução de nosso grandioso país e que as novas e próximas gerações sejam beneficiadas por um mundo melhor.


Um médico psiquiatra postou um comentário afirmando que “essa explicação ... é intelectualmente muito preguiçosa e ideologicamente condicionada...”. A seguir, apresento minha réplica.


Se Homero, Platão, Aristóteles, Tomás de Aquino, Dante Alighiere e outros tivessem suas obras submetidas a pesquisa dos institutos atuais, eles estariam associados com a anomia, em lugar do mundo melhor que tentaram deixar como herança. 

Se os gestores dos institutos estudassem Jung e Freud não encontrariam diagnóstico para suas morbidades, uma vez que os dois mestres não criaram conhecimento para se antepor à canalhice e à indigência da faculdade de pensar. 

Ademais, a sabedoria que os gênios tanto exercitaram não teria espaço no ambiente gestado por políticos e gestores de institutos de pesquisa. 

Essas proposições são para refletir, até porque, conforme Aristóteles, “o ignorante afirma, o sábio duvida e o sensato reflete.”


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