sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Reflexão sobre a atual conjuntura

Um vídeo está rodando o Brasil inteiro. E nele, dois cidadãos nordestinos humildes, mas lúcidos e perspicazes — ora alcunhados N1 e N2 — formulam proposições que doem. 


N1. O Maranhão é o estado mais pobre do Brasil, isto é, registra os piores indicadores de renda, proporção de pobreza e extrema pobreza do Nordeste e de todo o Brasil, conforme dados oficiais do IBGE.

N2. O Piauí tem uma das piores taxas de analfabetismo do Brasil, ou seja, registra uma taxa de analfabetismo de 13,1% entre pessoas de 15 anos ou mais, dividindo com Alagoas a posição de estados com o maior índice de analfabetos do país, conforme os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Continua (PNADC) do IBGE.

N1. A Bahia tem cinco das cidades mais violentas do Brasil, vale dizer, entre os municípios que aparecem na lista estão Eunápolis, Porto Seguro, Simões Filho, Jequié e Juazeiro. Eunápolis ocupa a segunda colocação nacional, ficando atrás apenas de Maranguape, no Ceará.

N2. E sabe o que os três estados tem em comum? Mais uma vez, Lula foi o candidato a presidente mais votado pelos eleitores desses três estados. Calma! Não estou dizendo que todos os problemas do Nordeste começaram ontem; nem que um único partido é responsável por tudo. 

N1. Mas aqui eu deixo uma pergunta: até quando a gente vai votar do mesmo jeito e esperar um resultado diferente?

N2. Dos dez estados com menor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) no Brasil, sete são do Nordeste.

N1. Dos dez estados com a pior educação no Brasil, nove são do Nordeste.

N2. Dos dez estados com maior criminalidade no Brasil, cinco são do Nordeste.

Aí você acha que agora vai ser diferente. Quem defende a pobreza para se eleger, nunca terá interesse em acabar com ela.

N1. Nordeste, eu não quero que você continue pobre! 

Eu não quero que os nossos filhos continuem recebendo uma educação ruim! 

Eu não quero que mais pessoas honestas e trabalhadoras continuem sendo alvo da criminalidade! 

Eu não quero que as nossas famílias fiquem com medo da violência! 

E eu também não quero que mais pessoas morram na fila da regulação!

E se você também ama o Nordeste, esta é a hora de retirar do Poder quem está acabando com ele! 

Escuta o poeta!


Alicerce intelectual dos jovens nordestinos

Na essência, os dois jovens nordestinos estão se contrapondo ao Partido dos Trabalhadores (PT), ao Partido Socialismo e Liberdade (PSol) e ao Partido Comunista do Brasil (PC do B) — de conformidade com seus respectivos estatutos. O ideário desses partidos está imbricado nas pregações de Antonio Gramsci, socialista pertencente ao Partido Comunista Italiano. 

Gramsci pregou que “a derrota do capitalismo com luta armada fracassou, então o triunfo do socialismo — isto é, do comunismo — deve ser desencadeado por intermédio do controle do sistema educacional, das instituições religiosas e dos meios de comunicação.”

Faltou a Gramsci coragem e ética para admitir que o fracasso do comunismo ocorreu pela impossibilidade de evolução humana pelos ensinamentos de Marx, Lenin et caterva. Vale dizer, onde o comunismo foi implantado ocorreu malsinada catástrofe. Com frequência, há a citação do sucesso chinês — ora, a riqueza constatada na China se deve ao capitalismo estatal ou, melhor dizendo, à ditadura capitalista.

A avassaladora vitória do liberalismo econômico e do conservadorismo social, no primeiro turno das eleições do corrente ano de 2026, no Brasil, correspondeu à implacável derrota dos três ambientes fundamentais da realidade brasileira, herdeiros do “gramscismo”: parcela da intelectualidade encravada nas universidades; parcela das religiões cristãs, com ênfase para a igreja católica; e a mídia em geral.


Reflexão atinente à atual conjuntura

Para uma avaliação mais consistente das questões políticas e sociais da atual conjuntura, há a conveniência de dar uma olhada nas obras de Homero, Platão, Aristóteles, Tomás de Aquino, Norberto Bobbio, Ruy Barbosa et al.

Com Homero, haveria o aprendizado da prevalência de conflitos, intelectuais e estadistas para a evolução bem-sucedida de sociedades e nações.

Com Platão, percorreria os campos da metafísica, da ética, da estética e da política, movendo-se pelos alicerces da filosofia natural, da ciência e da filosofia ocidental; e, em consequência, associando-se ao conhecimento e à sabedoria,

Com Aristóteles, perpassaria pela lógica, ética, retórica e metafísica, com trânsito por ciência, filosofia, psicologia, biologia, matemática; destarte, migrando-se para a compreensão dos fundamentos da civilização ocidental, e de forma simplificada, submetendo-se ao aforismo: “o ignorante afirma, o sábio duvida e o sensato reflete.”

Com Tomás de Aquino, mercê da razão e da fé, surgiria a percepção de que Deus existe, é simples, é perfeito e nada lhe falta, é infinito, é imutável em sua essência e em seu caráter, e é uno, sem divisão interna.

Com Bobbio, seria possível a assimilação do socialismo-liberal, do positivismo jurídico, das aleivosias de Marx, das anomias do fascismo italiano e do bolchevismo; enfim do perigo de uma política ideologizada e de ideologias totalitárias tanto à direita quanto à esquerda.

Com Ruy Barbosa, ocorreria a absorção do ideário da república presidencialista, com eleições limpas, voto secreto e respeito às liberdades individuais; a prevalência de uma suprema corte para garantir a defesa das leis e dos direitos contra abusos de poder; a adoção de métodos educacionais do país para ampliar o acesso e a qualidade da instrução; e a igualdade jurídica entre as nações, independentemente do poder militar ou econômico.

Adiantaria aos gestores e apoiadores do governo derrotado no primeiro turno das eleições estudarem os autores citados? Com certeza, não! Por canalhice ou por deficiência intelectual, teriam dificuldade de compreensão.

Enfim, com o resultado do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, a ocorrer daqui a 15 dias, estariam os cidadãos brasileiros: (i) afundando o governo que, por opção e vocação, surfava em lamaçal de corrupção e outros malfeitos; e (ii) aprumando o País no limiar de um novo ciclo de sua evolução republicana como aspiram os jovens nordestinos?


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