Fiz a tradução da versão inglesa do artigo “Uma solução barata ou ficção científica? A corrida de Israel para usar lasers contra drones e mísseis do Irã”, do jornalista Oded Yaron, publicado em 23/07/2026, no jornal israelense Haaretz.
Esse artigo apresenta o estado da arte de armas laser, que têm sido produzidas em alguns países e, particularmente, utilizadas com frequência pelas forças armadas de Israel nos combates contra o Irã, contra os palestinos e contra os proxies iranianos (entre outros, Hamas, Hezbollah, Houthis), especialmente para fazer face aos ataques com drones e mísseis.
Como não tenho autorização para publicar o artigo neste blog, fiz um extrato de algumas considerações relevantes e transcrevo-as a seguir, acrescidas de uma sintética apreciação atinente à possibilidade de desenvolvimento de armas laser no Brasil.
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Extrato do artigo “Uma solução barata ...”
"Sistemas de interceptação voltados para mísseis balísticos de longo alcance, como o Arrow (de Israel) e o THAAD (dos EUA), são extremamente caros, e seus processos de produção são longos e complexos. Isso limita a capacidade de repor os estoques esgotados em sucessivas e intermináveis rodadas de combate.
"Muitos países, liderados pelos Estados Unidos, investiram bilhões de dólares nesse esforço desde a década de 1970.
"No entanto, limitações técnicas e orçamentos de pesquisa exorbitantes mantiveram a tecnologia a laser no campo da ficção científica. Foi apenas nos últimos anos que essa tecnologia saiu dos laboratórios.
"A tecnologia a laser ganhou popularidade mundial em grande parte por razões econômicas. Mísseis interceptadores custam dezenas de milhares de dólares, como é o caso do sistema Iron Dome (Domo de Ferro). Já os foguetes e drones que eles visam custam centenas ou milhares de dólares. Alguns interceptadores chegam a custar milhões de dólares — como os dos sistemas Arrow e THAAD —, sendo disparados contra mísseis balísticos simples que custam apenas alguns milhões.
"O laser é, essencialmente, um feixe de luz; portanto, viaja à velocidade da luz — uma vantagem importante ao enfrentar um míssil hipersônico.
'Potências de até 100 ou 150 quilowatts são adequadas para interceptar drones ou, talvez, projéteis de artilharia em certas condições. Mas, para interceptar mísseis balísticos, é necessária uma potência na casa dos megawatts.'
Yehoshua Kalisky, INSS (Institute for National Security Studies)
'Os Estados Unidos investem cerca de US$ 1 bilhão anualmente no desenvolvimento de sistemas a laser, segundo informou o Government Accountability Office (órgão de auditoria do governo dos EUA) em 2023.'
"Em suma, mesmo que a tecnologia a laser não substitua todos os sistemas atuais de defesa aérea, ela pode aliviar a carga de trabalho e ajudar a poupar interceptadores de alto custo."
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Aspectos a considerar
1] Adoção da visão de estadista e desencadeamento da Pesquisa, Desenvolvimento (P&D) e Produção de arma laser no Brasil, com recursos humanos e centros de P&D brasileiros, bem como com a participação de empresa com capital majoritariamente brasileiro. Em consequência, ocorrerá a independência tecnológica nesse campo de artefatos bélicos de ponta, com a redução da dependência estratégica e tecnológica geral, em relação aos países desenvolvidos.
2] Adoção da visão — às vezes, realista — de não desencadeamento da P&D e Produção de arma laser no Brasil. Em consequência, poderá haver a necessidade de compra futura de arma laser no mercado internacional, contribuindo para o fortalecimento de empresas estrangeiras com essa capacitação e aumento de dependência estratégica e tecnológica, em relação aos países desenvolvidos.
3] Não há uma visão correta e outra errada! É crucial que se tenha consciência da existência de ambas e das respectivas consequências. Nesse contexto, é imperioso asseverar que as duas visões citadas devem ser consideradas pelos responsáveis políticos, organizacionais e institucionais pela busca de autonomia ou redução da dependência tecnológica e estratégica (inseridos nos comandos das forças armadas e no governo da República), bem como pelos responsáveis intelectuais do processo de P&D e Produção de equipamentos bélicos (inseridos nas organizações de Ciência & Tecnologia).
4] De qualquer sorte, há a conveniência de considerar também:
4.1] “A pesquisa, o desenvolvimento, a fabricação e a avaliação autônomos de Material de Emprego Militar condicionam as aspirações estratégicas e políticas de um país.” [*]
4.2] "Candidata-se à decadência antes de atingir o ápice o país cujas Forças Armadas não possuem o domínio do ciclo de vida de seus artefatos bélicos." [*]
[*] Em palavras alusivas ao 27º aniversário do CTEx (2006).
Aléssio Ribeiro Souto
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Aspects to consider
1] Adopting a statesman-like vision and initiating the Research, Development (R&D), and production of laser weapons in Brazil, utilizing Brazilian human resources and R&D centers, as well as the participation of companies with majority Brazilian capital. Consequently, technological independence in this field of cutting-edge weaponry would be achieved, reducing overall strategic and technological dependence on developed nations.
2] Adopting the vision—at times a realistic one—of not initiating the R&D and production of laser weapons in Brazil. Consequently, there might be a future need to purchase laser weapons on the international market, thereby strengthening foreign companies possessing this capability and increasing Brazilian strategic and technological dependence on developed nations.
3] There is no single "correct" or "incorrect" vision! It is crucial to be aware of the existence of both and their respective consequences. In this context, it is imperative to assert that the two aforementioned visions must be considered by those responsible—at political, organizational, and institutional levels—for pursuing autonomy or reducing strategic and technological dependence (within the Armed Forces commands and the government of the Republic), as well as by those intellectually responsible for the R&D and production processes of military equipment (within Science & Technology organizations).
4] In any case, it is also advisable to consider the following:
4.1] “The autonomous research, development, manufacturing, and evaluation of Military Materiel shape a country's strategic and political aspirations.” [*]
4.2] "A country whose Armed Forces do not master the lifecycle of their weaponry risks decline before ever reaching its peak." [*]
[*] Words spoken on the occasion of the 27th anniversary of CTEx (2006).
Aléssio Ribeiro Souto
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