sexta-feira, 26 de junho de 2026

Cinema Paradiso

"O lavrador perspicaz conhece o caminho do arado."
Homenagem a Oscar Barbosa Souto
Antigo lavrador, garimpeiro, comerciante, tabelião e juiz de paz.
In Memoriam.

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(Clique sobre o título)
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Ontem, eu assisti ao filme “Cinema Paradiso”. Foi uma sugestão da querida filha Alessandra, cinéfila convicta e que imprime enorme intensidade no ato de apreciar a sétima arte. Ela revelou que o considera o melhor dentre as várias centenas a que já assistiu. É um filme consagrado na história do cinema, uma vez que foi laureado, entre outras, com premiação do Oscar, Globo de Ouro, Bafta e Cannes.

Encontrei-me no contexto tão bem conduzido nessa obra-prima! As lágrimas não rolaram, mas dançaram na órbita ocular, mercê de encanto e tristeza; a rigor, emoção em estado puro. 

Alberto e Salvatore são os personagens principais do enredo mágico. Salvatore — quando menino, conhecido como Totó — se encanta pelo cinema e inicia uma grande amizade com o projecionista Alberto, que exerceu uma influência impactante em sua vida. Saiu de casa com a idade de vinte e poucos anos e, como um cineasta bem-sucedido, só voltou uma única vez, três décadas depois e, assim mesmo, por causa do falecimento de Alberto. 

Eu saí de casa com sete anos e voltei várias vezes, porém, em cada oportunidade, sentia o que Salvatore sentiu em seu retorno — a nostalgia do mundo fundamental na existência diferente das demais (seja a dele ou a minha); e que contém uma absoluta desconexão entre passado e presente. 

A mãe Maria transmitiu a Salvatore que, em cada telefonema, uma nova voz feminina a atendia; e ela torcia muito para que ele tivesse uma companhia permanente e que pudesse cuidar dele. Aí eu me lembrei que em um de meus retornos, com mamãe Alaide ainda viva, eu a surpreendi chorando e perguntei a razão. Ela respondeu que estava arrependida de ter permitido que eu saísse de casa tão cedo; e agora ela lamentava muito e torcia para que eu encontrasse alguém que pudesse cuidar de mim.

Num último retorno ao meu torrão natal, eu estava acompanhado das filhas Laura, Cecília e Alessandra e da esposa Isabel — com mamãe já próxima de seu final, encontrei alguém para dividir minha modesta caminhada. Fiz o relato dos sentimentos vivenciados; não aqueles passados pelo caboclo de Paradiso, com a carga dramática e emocional fantástica, apresentada no filme, mas, apenas os aspectos positivos e que condicionaram minha caminhada pelas sendas da vida.

Releio agora o que vivenciei em minha terra natal — cujo relato está em A casa, a escola e o rio — ao lado das pessoas que são a razão de minha existência. Nem precisaria reler, pois as vivências não se apagam de minha mente.


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Um comentário:

  1. Recebi de Maria Helena, por WhatsApp, a mensagem apresentada a seguir.
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    Boa tarde, Aléssio,
    Andei muito ocupada, por isso só agora agradeço teus excelentes artigos.

    1. “Cinema Paradiso” é uma grande obra de arte, justamente por se conectar com tempo e memórias tão afastadas. Teu texto, muito bem escrito, mostra como a arte é necessária em nossas vidas.
    2. Quanto ao pintor Duchamp, como o excelente artigo do The WSJournal sobre o MOMA expõe, é um contestador radical, mas que falha ao esquecer a relação da arte com as emoções fundamentais para o ser humano. Mas, como a arte e a reflexão sobre ela é fundamental, uma obra como a de Duchamp nos faz refletir sobre o caminho da humanidade num momento de grande desenvolvimento tecnológico e IA.
    3. Voltando aos teus textos, eles merecem ser incluídos em uma autobiografia, publicada num bom livro, papel, e não na tela fria do computador. Incluindo a emoção provocada pelos artigos "Cinema Paradiso" e "A casa, a escola e o rio".
    Maria Helena
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