‘The Odissey’ versus ‘Tanakh’
The rabbi Benjamin Resnick published an excellent article in the newspaper The Times of Israel titled “What I Learned Watching the Movie ‘The Odyssey’ in Tel Aviv” in which he draws a comparison between the goals of the characters in Homer’s ‘The Odyssey’ and those found in the Jewish holy scripture, the ‘Tanakh’.
Mr. Resnick declares:
“it is indeed remarkable — and not to be taken for granted — that stories written thousands of years ago, whether in Hebrew or Greek or Sanskrit, can still speak to us and inspire great art. But whereas The Odyssey remains an object of fascination, the Tanakh is both an object of fascination and of passionate devotion. It is possible that Helen’s face once launched a thousand ships. It is certain the unfinished journey of Abraham still guides billions of lives — the lives of Jews, of course, and many others. Why? What distinguishes the Tanakh from many other ancient epics, giving it not only the power to inspire but also the power to command?”
And he tries to answer this question saying:
“unlike Homeric epics, Tanakh stories demand midrash to fill in the gaps. They are not written with exhaustive specificity, and they are not told in order to astound, entertain or beguile. They are told to be generative and to give their readers a chance to uncover deep truths that the stories themselves only gesture towards. They are not arguments or expositions, but offerings to the imagination. They are odysseys of interpretation, questioning, reading and endless re-reading. And so they finally attain the immortality for which lesser heroes die searching.”
Now, my vision about Nolan’s movie:
There are so many distortions in Mr. Nolan’s ‘The Odyssey’ that the film ought to bear a different name. My suggestion is ‘The Nolaney’.
While a director is free to do whatever strikes his fancy, he has no right to appropriate one of the greatest works of world literature and impose modifications upon it—to the point where those lacking the privilege of a high level of cultural literacy (especially the young) come to admire Nolan’s work as if it were Homer’s.
Let it be clear, then: freedom—a fundamental human attribute—was exercised in the film ‘The Odyssey’ in an inappropriate manner, reminiscent of the tactics of a dishonest organization. An exaggeration? No! After all, tarnishing a universal masterpiece corrupts education and fundamental human values. In short, the film runs counter to the pillars of freedom, truth, and ethics.
Instead of watching the film, a wise teacher would recommend reading the book ‘The Odyssey’ and other works by the Greek author.
After reading Mr. Benjamin Resnick’s article, that wise professor would certainly recommend also reading the article “What I Learned Watching ‘The Odyssey’ in Tel Aviv.” Forget Mr. Nolan’s film.
###################
###################
‘A Odisseia’ versus Tanakh
O rabino Benjamin Resnick escreveu o excelente artigo “O que eu aprendi assistindo ao filme ‘A Odisseia’ em Telaviv”, onde faz uma comparação entre os objetivos dos personagens do livro ‘A Odisseia’, de Homero, e a Bíblia sagrada dos judeus, o ‘Tanakh’.
O Sr Resnick afirma o seguinte:
“É realmente notável — e não deve ser dado como certo — que histórias escritas há milhares de anos, seja em hebraico, grego ou sânscrito, ainda possam falar-nos e inspirar grande arte. Mas enquanto a Odisséia continua sendo um objeto de fascínio, o Tanakh é ao mesmo tempo um objeto de fascínio e de devoção apaixonada. É possível que o rosto de Helena já tenha lançado mil navios. É certo que a jornada inacabada de Abraão ainda guia milhares de milhões de vidas – as vidas dos judeus, claro, e de muitas outras. Por que? O que distingue o Tanakh de muitos outros épicos antigos, dando-lhe não apenas o poder de inspirar, mas também o poder de comandar?
E ele tenta responder a essa indagação afirmando:
“Ao contrário das epopeias homéricas, as histórias do Tanakh exigem a emoção e o sentimento para preencher as lacunas constatadas no texto bíblico. Elas não são escritas com especificidade exaustiva, nem são narradas com o intuito de assombrar, entreter ou fascinar. São contadas para serem geradoras de sentido e para oferecer aos leitores a oportunidade de descobrir verdades profundas que as próprias histórias apenas sugerem. Não são argumentos ou exposições, mas sim ofertas à imaginação. São odisseias de interpretação, questionamento, leitura e releitura incessante. E, assim, alcançam finalmente a imortalidade que heróis menores morrem tentando encontrar.”
Agora, a minha visão sobre o filme do Sr. Nolan!
Há tantas distorções em 'A Odisseia' do Sr. Nolan que o filme deveria ter um nome diferente. Minha sugestão é 'A Nolaneia'.
Embora um diretor seja livre para fazer o que lhe der na telha, ele não tem o direito de se apropriar de uma das maiores obras da literatura mundial e impor modificações a ela — a ponto de aqueles que não têm o privilégio de um alto nível de alfabetização cultural (especialmente os jovens) passarem a admirar a obra de Nolan como se fosse a de Homero.
Que fique claro, então: a liberdade — um atributo humano fundamental — foi exercida no filme 'Odisseia' de maneira inadequada, lembrando as táticas de uma organização desonesta. Um exagero? Não! Afinal, macular uma obra-prima universal corrompe a educação e os valores humanos fundamentais. Em suma, o filme vai contra os pilares da liberdade, da verdade e da ética.
Em vez de assistir ao filme, um professor sábio recomendaria a leitura do livro 'A Odisseia' e de outras obras do autor grego.
Após ler o artigo do Sr. Benjamin Resnick, o sábio professor certamente recomendaria ler também o artigo “O que eu aprendi assistindo ao filme ‘A Odisseia’ em Telaviv.” Esqueça o filme do Sr. Nolan.
###################
Nota.
O Tanakh (ou Tanach) é a Bíblia Hebraica, o livro sagrado do judaísmo, formado por três partes: Torá (A Lei), Nevi'im (Os Profetas) e Ketuvim (Os Escritos). A palavra é uma sigla criada com as letras iniciais dessas três divisões em hebraico.
As Três Partes do Tanakh
– Torá (A Lei):
–> Os cinco primeiros livros (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio).
–> Contém a história inicial do mundo e as leis dadas a Moisés.
– Nevi'im (Os Profetas):
–> Livros históricos e proféticos como Josué, Juízes, Samuel, Reis, Isaías e Jeremias.
–> Mostram a trajetória e as mensagens espirituais do povo de Israel.
– Ketuvim (Os Escritos):
–> Textos poéticos, históricos e filosóficos como Salmos, Provérbios, Jó e Daniel.
–> Reúnem orações, sabedoria de vida e cânticos sagrados.
Relação com a Bíblia Cristã
O conteúdo do Tanakh é basicamente o mesmo do Antigo Testamento das Bíblias cristãs, mas a ordem dos livros é diferente e ele não inclui o Novo Testamento.
###################
###################









