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"O lavrador perspicaz conhece o caminho do arado." Homenagem a Oscar Barbosa Souto Antigo lavrador, garimpeiro, comerciante, tabelião e juiz de paz. In Memoriam. |
Em 2016, na condição de comandante do Exército, o general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas contraiu Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), uma doença neurológica degenerativa que destrói os neurônios motores, causa fraqueza, atrofia e rigidez muscular, perda de movimentos e dificuldade progressiva para engolir (disfagia), falar (disartria) e respirar.
O general Villas Bôas chegou à atualidade com movimento apenas das pálpebras, porém não perdeu a capacidade cerebral e a faculdade de pensar. Com apoios tecnológicos, de assistente e, especialmente, de pessoas da família, ele escreveu seu segundo livro, denominado “Coração da Selva”.
Nesta terça-feira, 9 de junho de 2026, compareci à Biblioteca do Senado, para o lançamento de seu livro, que se constitui em uma apologia da Amazônia, onde ele servira em três ocasiões distintas de sua extraordinária carreira militar. Estimo que mais de 200 pessoas estavam presentes no evento. Afora uma expressiva quantidade de militares da reserva, compareceram políticos, intelectuais e pessoal da mídia — dentre eles o general Ferrarezi, o senador Espiridião Amin, o cientista político Paulo Kramer e o jornalista Alexandre Garcia.
A senhora Aparecida, esposa do general Villas Bôas, fez um eloquente e emocionado discurso, foi aplaudidíssima e depois passou a redigir dedicatória nos livros adquiridos na entrada da Biblioteca, pelos presentes que se dispuseram a entrar em longa fila.
Depois de cumprimentar o bravo autor do livro e, também, sua esposa, interagi com amigos presentes no evento. Nesses instantes, antigas lembranças vieram à mente; e eu destacaria a recordação do excelente filme “O Escafandro e a Borboleta”, que conta passagens da vida do jornalista francês Jean-Dominique Bauby, ex-editor-chefe da revista de moda Elle. Ao ultrapassar 40 anos, Bauby foi acometido de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) que o deixou em coma. Ao sair dessa condição, constatou-se que estava sofrendo de uma doença neurológica rara, chamada “síndrome do encarceramento” (“locked-in syndrome”), que deixava seu corpo paralisado e só conseguia mover a sobrancelha do olho esquerdo. Uma talentosa profissional do setor de saúde criou uma linguagem para os movimentos de piscar do olho e teve êxito em ensinar a inédita forma de comunicação para ele. Dessa maneira, Bauby concebeu o livro que deu origem ao filme, ora mencionado. Em 2008, essa obra foi indicada para prêmios do Oscar e Globo de Ouro, americanos; do Festival de Cannes, francês; e do Bafta, britânico. Venceu os prêmios de Melhor Direção do Globo de Ouro e do Festival de Cannes; e o prêmio de Melhor Roteiro Adaptado do Bafta.
Por óbvio, a saga do general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas é monumental e exemplar; e, à semelhança de Jean-Dominique Bauby, merece uma obra cinematográfica que o eternize e, sobretudo, que se preste à assimilação, pelas novas gerações, da epopeia de um bravo, épico e destemido cidadão, o qual, mesmo na mais dilacerante condição humana, não renunciou a pensar e agir com fé, perseverança e otimismo, e, como propusera o filósofo Leibniz, não deixou de buscar “entre os diversos mundos imagináveis, a conciliação entre o máximo de bem e o mínimo de mal, o que o transforma no melhor dos mundos possível.”
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General Villas Bôas – Lançamento do livro "Coração da Selva" Biblioteca do Senado – Brasília – 09/06/2026 |
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General Villas Bôas e Ribeiro Souto – Lançamento do livro "Coração da Selva" Biblioteca do Senado – Brasília – 09/06/2026 |
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General Villas Bôas – Ribeiro Souto e Tárcio (integrantes da Turma Marechal Mascarenhas de Moraes – 1972 – AMAN) Lançamento do livro "Coração da Selva" Biblioteca do Senado – Brasília – 09/06/2026 |
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