sábado, 7 de março de 2026

Compromisso e credibilidade em ciência e medicina

"O lavrador perspicaz conhece o caminho do arado."
Homenagem a Oscar Barbosa Souto.
Antigo lavrador, garimpeiro, comerciante, tabelião e juiz de paz.
In Memoriam.

A cientista Tatiana Sampaio divulgou a possível descoberta de tratamento, por intermédio da proteína polilaminina, para alguém que, em face de algum trauma se torna paraplégico. Ela sofreu uma saraivada de críticas por causa de possíveis incorreções no processo de desencadeamento de sua pesquisa.

Agora, ela veio a público e confirmou que o artigo pré-print trazia imprecisões e erros de digitação, o que pode se configurar como inaceitável para o nível de responsabilidade que ela abraçou, na universidade.


No final do ensino fundamental — vale dizer, antes de ingressar no ensino médio —, o estudante precisa ter capacidade de escrever um texto e, também, de revisar a primeira versão. 

A cientista até pode ser qualificada, ter mérito, mas não pode esquecer que, em qualquer área humana, há aspectos fundamentais que não podem ser relegados para segundo plano. Caso contrário, passa a valer a aceitação de um errinho, de uma mentirinha, de uma corrupçãozinha e de outras coisinhas mais. 

A propósito, tem gente que defende o Masterzão, o INSSião, o Petrolão, o Mensalão e aleivosias similares. 

Em suma, "inhos" e "ãos" são igualmente reprováveis. Garantia de compromisso e credibilidade é um bom propósito para vencer as fragilidades resultantes da condição humana.


#############################


#############################

 

Uma leitura fascinante

"O lavrador perspicaz conhece o caminho do arado."
Homenagem a Oscar Barbosa Souto
Antigo lavrador, garimpeiro, comerciante, tabelião e juiz de paz.
In Memoriam.

Retomei a leitura do livro “A FRONTEIRA”, da escritora norueguesa Erika Fatland — um belo presente ganho em meu aniversário. Ao longo de suas quase 700 páginas, em uma formulação instigante e desafiadora, constata-se que, durante os anos de 2015 e 2016, a aventureira Erika percorreu mais de 20 mil quilômetros, ao longo da fronteira do gigantesco território da Rússia. 


Conforme seu relato, na épica aventura, a jornalista Erika partiu de navio, da localidade de Kirkenes, próxima da fronteira tríplice entre a Noruega, Finlândia e Rússia; prosseguiu pelo Mar Báltico até o Estreito de Bering, junto ao Alaska e enveredou para o Sul. 

Deslocou-se de avião doméstico norte-coreano, trem chinês de alta velocidade, trem suburbano cazaque, ônibus, micro-ônibus, cavalo, táxi, barco de carga, caiaque ou usando seus próprio pés e viajou por catorze países e três repúblicas separatistas: Coreia do Norte, China, Mongólia, Cazaquistão, Azerbaijão, Nagorno-Karabakh, Geórgia, Abecásia, Ucrânia, República Popular de Donetsk (depois incorporada pela Rússia), Bielorrúsia, Lituânia, Polônia, Letônia, Estônia, Finlândia e, finalmente, Noruega, exatamente no ponto de partida.

Apresento a seguir, excertos do último capítulo da lavra de Erika Fatland.

“Nenhum dos lugares que visitei estava a salvo de traumas ou cicatrizes em função de sua vizinhança com a Rússia. Sobretudo povos e etnias minoritárias, esmagados entre as mós do poder ao longo de séculos, dilacerados pelas diferenças entre grandes potências, deslocados à força de um lugar para outro.

“Nações não têm memória, nações não têm feridas que saram, nações não têm cicatrizes. Tudo isso pertence unicamente a indivíduos, um mais um mais um mais um, milhões deles.

“..........

“Acima de tudo, tenho a sensação de haver testemunhado tanto a mais completa ausência de direção quanto o puro oportunismo. O Império Russo agigantou-se dessa monta precisamente porque os governantes de plantão aproveitavam todas as oportunidades que se lhes apresentavam para expandir a fronteira, a qualquer custo, e raramente se esquivaram da brutalidade, do jogo sujo ou de declarar mais uma guerra.

“Ao longo da história, o tamanho tem sido a melhor defesa da Rússia. As distâncias são tão grandes que nenhum exército estrangeiro foi capaz de dar conta dessa enorme massa de terra. Mas o tamanho também é o calcanhar de aquiles da Rússia. O Império Romano, o Império Persa, o Califado Omíada e o Império Mongol deixaram de existir simplesmente porque ficaram grandes demais. O centro perdeu a capacidade de controlar a periferia ou defender as fronteiras externas contra os exércitos invasores.

“Quando finalmente entrou em colapso, a União Soviética o fez sobretudo porque os habitantes de suas áreas mais periféricas se rebelaram, e assim, máscara por máscara, república por república, da Lituânia à Geórgia, o império se desfez. A Rússia perdeu aproximadamente, 20% de seu território, bem como mais da metade de seus habitantes.

“Mesmo assim, ainda é gigantesca. Tem quatro vezes o tamanho da União Europeia e quase o dobro dos EUA e da China. A fronteira da Rússia, conforme descrito neste livro, em também será história. Talvez se expanda antes de se contrair novamente, convulsionando-se como uma serpente em agonia, tão difícil que é imaginar que uma Rússia com seus quase duzentos grupos étnicos e nacionalidades, sues 17 milhões de quilômetros quadrados e 60 mil quilômetros de fronteira continue existindo como uma só entidade no longo prazo — seja no longo prazo de uma geração, seja ao longo de cem ou duzentos anos.

“Em 1991, a Rússia ganhou oito novos países vizinhos Em breve podem ser mais. Uma das razões pelas quais Iéltsin, e depois Putin, reprimiram tanto os rebeldes da Tchetchênia foi o temor de que o império se fragmentasse ainda mais. Até aqui a Tchetchênia vem sendo governada com punho de ferro pelo ditador Ramzan Kadyrov, mas tanto cortinas quando punhos de ferro podem enferrujar e se desfazer, às vezes da noite para o dia.”

O livro é fantástico uma vez que apresenta aspectos das histórias milenares de cada país, com ênfase para o impacto político e estratégico das interações dos respectivos governantes com mandatário da Rússia. 

Afora, citações bibliográficas rigorosas, o texto descreve a interação da autora com personagens relevantes de cada país e, não raro, transmite, com simplicidade, eventos significativos que enriquecem os respectivos relatos e os juízos de valor sempre equilibrados e verossímeis.

A obra permite a compreensão da importância da Rússia para a Ásia e para a Europa, mercê da insuperável grandeza territorial (17 milhões de quilômetros quadrados e 60 mil quilômetros de fronteira), bem como da complexidade populacional, resultante das diferentes etnias que compõem o perfil humano do país.

Por último e fundamentalmente relevante, a caracterização do autoritarismo comunista da Rússia bem como do autoritarismo nazista da Alemanha — que a autora apresenta, deplorando a ambos — encaminha para o conceito crucial que, modestamente, já apresentei em alguns textos passados, atinente ao objetivo fundamental do ser humano que “é a busca da paz e da harmonia, somente possível por intermédio do sistema democrático que, por seu turno, é alicerçado na liberdade, verdade, coragem e ética.”

# # # # # # # # 

sexta-feira, 6 de março de 2026

Aleivosias no âmbito empresarial e judicial

O escândalo de corrupção do banco Master expôs fraudes praticadas não apenas por empresários do setor bancário, mas também altas autoridades dos poderes da República, com ênfase para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

O problema atingiu tal gravidade que a manchete do Estadão apontando acusação contra ministros da Suprema Corte é: “Toffoli e Moraes deveriam se explicar ou se afastar do STF”; e o subtítulo indica “Suspeitas sobre as conexões de Daniel Vorcaro com os dois ministros do STF são gravíssimas e vão desde contratos milionários a uma suposta ajuda para evitar a prisão do banqueiro”.

Sobre o mesmo tema, a Gazeta do Povo divulgou o seguinte artigo: “Vazamentos sobre Moraes intensificam pressão da oposição por CPMI do Master e apoio a Mendonça”.

A mídia em geral e os analistas e intelectuais estão deixando de contemplar as causas desse malsinado estado de coisas. Apontá-las é imperioso e urgente.


Problema? Solução? É possível, resolvendo as aleivosias que seguem. 

Nos Tribunais de países democráticos desenvolvidos, não há ministro que tenha passado por alguma das seguintes condições:

reprovação em concurso para juiz; 

prestação de serviços para organização criminosa; 

advocacia para condenado por assassinatos em país democrático;

militância em campanha eleitoral de partido responsável por corrupção;

trabalho da esposa em escritório de advocacia cuja causa possa ser levada à Suprema Corte;

prática empresarial incompatível com o cargo; 

difamação de altas autoridades do País no exterior;

tratamento de questões judiciais fora dos autos do processo;

descumprimento da Carta Magna com decisões inconstitucionais;

investidura na Corte por amigo que antes recebeu seus serviços advocatícios;

atuação em partido socialista (comunista ou nazista); e

defesa de tese de doutorado favorável a partido atuante na maior corrupção do mundo. 


O tipo de profissional da justiça ora cogitado só existe em ditaduras nefastas, cujos mandatários praticam a corrupção hedionda e têm o apoio de organizações criminosas.


###########################



###########################




###########################